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AGU exige que Meta remova robôs que promovem erotização infantil no Instagram

AGU exige que Meta remova robôs que promovem erotização infantil no Instagram
AGU exige que Meta remova robôs que promovem erotização infantil no Instagram

O governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), notificou extrajudicialmente a Meta, empresa controladora do Instagram e Facebook, para que adote medidas urgentes contra a proliferação de chatbots - robôs criados com a ferramenta "Meta IA Studio" -  com características infantis e erotizadas em suas plataformas. O documento, datado de 15 de agosto de 2025, exige a exclusão imediata desses perfis e um plano de ação para evitar novos casos.

A notificação, com o número NUP: 00170.003528/2025-45, destaca a preocupação com a criação e disponibilidade de chatbots que, apesar de simularem perfis com aparência e linguagem infantil, interagem com usuários de forma sexualmente sugestiva. O caso veio à tona após um levantamento da Agência Núcleo, que identificou e testou perfis como “Safadinha”, “Bebezinha” e “Minha Novinha”.

De acordo com o documento da AGU, a proliferação desses conteúdos acontece devido à ausência de mecanismos de moderação eficazes nas plataformas e à facilidade de uso da ferramenta Meta AI Studio. A AGU argumenta que essa situação representa um risco concreto à integridade psíquica de crianças e adolescentes, que podem ser expostos a material potencialmente criminoso.

A notificação sublinha que essa ameaça atinge um público vasto, especialmente porque as plataformas da Meta são acessíveis a partir dos 13 anos. O texto ressalta que não existem filtros etários suficientes para impedir que adolescentes entre 13 e 18 anos tenham contato com esses conteúdos inapropriados, violando, inclusive, os próprios Padrões da Comunidade da Meta sobre exploração sexual e erotização infantil.

O governo federal utiliza a notificação para reforçar a obrigação da empresa em proteger a integridade dos usuários, citando a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que asseguram, com prioridade absoluta, a proteção integral de crianças e adolescentes. O texto destaca que o dever de proteção é compartilhado entre a família, a sociedade e o Estado.

A AGU também faz referência ao Código Penal, lembrando que a prática de ato libidinoso com menores de 14 anos é um crime, com pena de reclusão que varia de 8 a 15 anos. A notificação deixa claro que o conceito de "ato libidinoso" não se restringe a contato físico e se aplica a interações virtuais, como as que ocorrem nos chatbots investigados.

O documento cita um recente julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que interpretou o Marco Civil da Internet. Segundo a decisão, provedores de internet podem ser responsabilizados por conteúdos ilícitos gerados por terceiros se, após terem ciência do problema, não removerem o material imediatamente. Essa argumentação legal coloca a Meta em uma posição de dever de ação imediata.

A AGU estabeleceu um prazo de 72 horas para que a Meta se manifeste e cumpra as exigências. O governo pede a indisponibilização imediata dos chatbots mencionados e um plano detalhado sobre as medidas que serão adotadas para evitar que conteúdos sexuais ou eróticos sejam acessados por crianças e adolescentes em todas as suas plataformas, incluindo o WhatsApp.

Veja o documento abaixo.

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