Bastidores da Política - Uma mulher como vítima e o mundo cão que sobrepuja nossas crenças


Uma mulher como vítima e o mundo cão que sobrepuja nossas crenças

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

30/09/2021 19h45 — em Bastidores da Política

A gente, que escreve todos os dias, nem  sempre quer ou deseja relatar as tragédias da vida, porque  tudo isso cansa: a corrupção que gera pobreza, os amores não resolvidos, as traições, as ideologias que produzem morte e contribuem para a instabilidade de um país.

Há coisas boas - amores correspondidos, amizade, justiça, fraternidade, dignidade, solidariedade. Histórias que passam como se não fossem importantes, como se não interessassem a ninguém. Mas aqui e ali tudo isso cede lugar ao que talvez tenha alguma importância, porque mexe com nossa sensibilidade, porque em parte nos tira  desse transe - de que a vida é bela, que as pessoas são solidárias, que a violência de alguma forma pode ser contida.

É quando o mundo cão se fortalece e sobrepuja o lado bom da vida, porque de certa forma contraria nossa crença  de que há bondade, há solidariedade e que a humanidade que existe no outro não morreu.

Essa foto da prisão de uma  mulher acusada  de matar um homem em Manaus  é espantosamente agressiva. A suposta criminosa está algemada e a imagem na foto fala por si mesmo.

É uma criminosa? Supostamente, sim. Mas as algemas eram necessárias? E a arma apontada para ela ?

O mundo cão é mais forte e nos conduz a um impasse com os leitores, que querem o que há em abundância: violência, sangue, morte.

Não é que as coisas boas não possam ser contadas - ontem a coluna mostrou uma delegada que aparece em fotos onde não se vê uma arma. Isso e “coisa boa”, isso é o mundo se transformando. Mas no dia seguinte outra cena, outra personagem e uma mulher como vítima…

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.