O senador Eduardo Braga, que andava sumido após a derrota nas eleições para o governo do Amazonas, reapareceu em duas reuniões. Um delas, convocada pelo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, para discutir a votação, nesta terça, do projeto que altera o indexador da dívida de Estados e municípios com a União. Braga ainda é líder do governo, mas um governo que não confia nos seus métodos e sempre se socorre da senadora Gleisi Hoffmann, chamada a apagar os incêndios provocados pela irritação que o senador provoca em aliados e nos técnicos que tentam municiá-lo de argumentos para defender as reformas que a presidente Dilma pretende implementar ainda este ano.

VAI PERDER O CARGO
A presidente Dilma não deve manter o senador pelo Amazonas no cargo de líder do governo, mas sofre pressão do ex-presidente Lula para entregar um ministério a Braga, que não se contenta com pouco. Quer Minas e Energia, mas vem sendo vetado pelo próprio partido, o PMDB, que prefere alguém com mais traquejo, melhor comunicação com a bancada e maior interação com a sociedade.
DESESPERO DO SENADOR
Braga precisa desesperadamente do apoio do amigo Lula. Não pode permanecer no Senado sem romper um acordo de gaveta com o empresário Lírio Parisoto, segundo suplente, mas com a palavra empenhada de que ficaria na vaga do Amazonas nos últimos quatro anos de mandato de Eduardo Braga.
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Enquanto tenta uma vaguinha no ministério de Dilma, Braga ataca em outra frente: está tentando um terceiro turno com o governador José Melo. Ele tem pelo menos cinco ações diferentes pedindo a cassação do governador eleito.
A CAMARADA VANESSA
A senadora Vanessa Graziottin é daquelas “camaradas” que não descem do palanque por nada. Mal terminou o processo eleitoral em que experimentou a segunda derrota consecutiva para o prefeito Artur Neto – a primeira foi em 2012 na disputa pela prefeitura e este ano teve a segunda com seu marido Eron Bezerra perdendo feio para Artur Bisneto -, e ela já começa a queimar cartuchos visando a disputa de 2016. Abriu a semana chamando Artur de injusto com a presidente Dilma, que segundo ela mandou muito dinheiro para obras em Manaus. Artur, que jura não ter visto ainda a “cor” desse dinheiro, releva dizendo que a senadora é apenas “uma desinformada”.

SÓ CONSTRANGIMENTOS
O Banco Central do Brasil não mandou representante para a audiência pública realizada ontem na Assembleia Legislativa, pelo PCdoB, para tratar da criação de uma superintendência regional do banco em Manaus. Resultado, a senadora Vanessa Graziottin teve de se contentar em ouvir os peixes menores de outros bancos, como Bradesco e Caixa, e políticos amigos do Pará e de Rondônia. No meio da audiência, quando percebeu que a coisa não daria em nada, Vanessa pediu licença e se retirou alegando que tinha uma reunião importante no Senado.
Mas antes de sair, Vanessa deu uma dica de como anda o descontrole econômico do governo Dilma. Disse que dirigentes do Tesouro Nacional a procuraram para pedir emendas. “Nunca imaginei isso, o dono do tesouro pedindo emendas para ter mais dinheiro”.
BANCO CENTRAL EM MANAUS
Em audiência pública realizada nesta segunda-feira na Aleam, o presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do BC (Sinal), Daro Marcos Piffer, defendeu a instalação de uma representação do Banco Central (Bacen) em Manaus. Conforme Daro, só existe uma representação do Bacen nessa metade do Brasil que é a região Norte.
PREFEITO ENQUADRADO
Os membros do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas aceiraram denúncia contra o prefeito de Barcelos/AM, José Ribamar Fontes Beleza, por crime eleitoral, uso de documento falso entre outros e devem julgar o processo movido pelo Ministério Público Eleitoral contra o prefeito José Ribamar Beleza.
CURSO NÃO LICITADO
O presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Josué Filho, ratificou despacho do secretário geral daquela corte de contas, Fernando Elias Prestes Gonçalves, pela inexigibilidade de licitação para contratação do Instituto Inovação Sustentabilidade e Desenvolvimento com objetivo de ministrar curso para servidores. O valor é de módicos R$ 97.600.
FALCATRUA EM PARINTINS
Presidente da SAEE de Parintins no exercício de 2012, Lourenço Castro Fonseca aprontou poucas e boas com o município e com os servidores do órgão. Tanto é assim que o TCE/AM considerou suas contas irregulares e o condenou a devolver, em trinta dias, o valor de R$ 346.890,70.
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Além do valor em alcance acima, Lourenço Fonseca também foi multado em mais R$ 63.569,82. Ao todo, ele tem que pagar R$ 410.460,52. Entre os esquemas de Lourenço está a retenção de INSS e IRPF dos servidores sem repassar à Receita Federal.
MP NA BERLINDA
O novo procurador-geral de Justiça, Fábio Monteiro, tem a difícil missão de conciliar os interesses políticos na Assembleia Legislativa para conquistar a maioria de votos necessária à aprovação do projeto de lei que concede o auxílio-moradia aos procuradores do Amazonas. É que a bancada governista encolheu com o racha eleitoral, e alguns deputados do grupo perdedor tentam impedir a aprovação de matérias que interessam ao governo. O projeto já entrou e saiu de pauta sem ser aprovado.
CHOVER NO MOLHADO
O presidente da CPI da Pedofilia na Assembleia Legislativa, deputado Abdala Fraxe mantém firme a decisão da comissão de não “chover no molhado”, que foi uma das condições para que o parlamento estadual aprovasse a sua criação. Diante das investigações realizadas pelo MPE, pela Polícia Federal e pela CPI nacional, a comissão estadual decidiu focar sua atuação sobre novas denúncias e apenas elementos novos relacionados aos envolvidos nas demais investigações.




Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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