O que está acontecendo hoje com o Supremo Tribunal Federal não surgiu do nada. Durante anos, críticas construtivas, formuladas dentro do ambiente democrático e com o objetivo declarado de fortalecer as instituições, já apontavam riscos associados ao excesso de decisões monocráticas, à concentração de processos sensíveis e ao enfraquecimento progressivo do colegiado como método decisório.
Essas críticas não pretendiam limitar a independência judicial nem submeter o Tribunal a pressões externas. Ao contrário, buscavam preservar a autoridade simbólica e a credibilidade institucional do STF, advertindo que a ampliação do protagonismo individual e a centralização decisória poderiam, a médio prazo, deslocar a Corte de seu papel constitucional de árbitro para o de ator permanente no centro da arena política.
O resultado é o desgaste visível de hoje. Não porque o STF seja criticado — toda Corte constitucional madura o é —, mas porque demorou a ouvir críticas que buscavam protegê-lo. Em democracia, instituições se fortalecem menos pela retórica de autodefesa e mais pela capacidade de absorver alertas, corrigir rumos e preservar, no silêncio dos autos, a autoridade que a Constituição lhes confiou.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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