Depois do confronto entre policiais e um grupo de homens armados, que resultou em dois mortos em Manaus no sábado, lembrei da conversa que tive com um PM aposentado dias atrás. Ele dizia que enquanto serviu, antes de sair de casa olhava os filhos como se fosse a última vez. A sensação de que não voltaria o angustiava e o embrutecia. A aposentadoria trouxe paz em casa, mas não cessou o medo das ruas.
Queixou-se dos julgamentos precoces que as pessoas fazem das ações da polícia que resultam em mortes. “Na nossa pele ninguém agiria diferente, porque a regra é não atirar primeiro, mas quando atiram é necessário reagir e o resultado você conhece bem”.
Não posso, por dever de oficio, citar o nome do policial que traz no corpo marcas de batalhas que ainda o assombram.
Mas este não é um relato solitário de quem sobreviveu à guerra das ruas. Há muitas histórias contadas por filhos órfãos, que falam de seus pais com orgulho, como Raphael, que tinha apenas 10 anos quando bateram à porta de sua casa com a noticia de que seu pai, um policial federal, foi morto.
E há o outro lado, de mães que choram por filhos que morreram numa guerra da qual elas dizem que eles não tinham lado: estudavam, trabalhavam, tinham família e sonhos.
Essa é uma dor que não passa…
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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