O presidente Lula compromete seu governo pela boca, reforça o discurso da extrema direita e a divisão do País entre “nós” e “eles”. Ao admitir ter orgulho de ser chamado de comunista, Lula apenas reacende o debate que dominou parte do governo Bolsonaro e cresceu durante a disputa eleitoral do ano passado, como intempestivamente envia uma mensagem para o mundo capitalista do tipo: “sou o que sou e não vou mudar”.
Quem já via Lula com desconfiança, agora tem certeza de que não pode confiar num chefe de Estado de sua relevância, especialmente na América Latina, região alvo de transformações nos últimos anos, com crise econômica e desilusão cada vez maior com o capitalismo.
Lula pode ser o que bem quiser, mas este é um momento delicado. Ou esqueceu que ganhou a eleição com diferença de menos 1% dos votos exatamente porque o tema “risco comunista” impactou na decisão dos eleitores?
É ingênuo pensar que o comunismo foi extinto com a queda do Muro de Berlim, que dividia a Alemanha(1989), ou fim da União Soviética em 1991. Continua como ideologia.
O protagonismo de Lula na América Latina e suas ideias atrasadas preocupam o mundo desenvolvido. Mais que isso: internamente, levam empresas a reavaliarem os investimentos que fazem no País.
Se o presidente diz que tem orgulho de ser chamado de comunista, no mínimo tem ideias relacionadas a abolição da propriedade privada e reestruturação das instituições.
Talvez seu governo esconda um segredo: a busca da criação de mecanismos que conduzirão o País a uma transição para o regime que o seduz, porque o socialismo é o meio pelo qual se chega ao comunismo, na teoria de Friedrich Engels.
Pode ser bobagem o que Lula diz. Mas que ele hoje se transformou no melhor cabo eleitoral da extrema direita, isso é fato.
Então não era fake news quando os bolsonaristas alertavam o risco do comunismo no Brasil com Lula? Deixo essa pergunta para você, leitor, responder.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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