Um garoto de 13 anos entra na escola com facão e duas garrafas com gasolina disposto a matar. Fere a professora e outros três colegas. É uma história trágica, que tem se repetido pelo Brasil, mas desta vez aconteceu aqui ao lado, numa unidade adventista, conhecida pela rigidez e disciplina. O que está acontecendo com nossas crianças? Foi a pergunta feita em grupos mais seletivos de WhatsApp, especialmente entre pais e professores.
O que vem sendo proposto pelos governos - mais policiamento nas escolas, monitoramento das redes sociais, abertura de canais de denúncias - são coisas que não resolvem, quando o autor do atentado está dentro da escola e frequenta a sala de aula.
O problema está, em muitos casos, na família, que ou não orienta ou não impõe limites às crianças - o que elas podem ver, jogar, assistir, especialmente games violentos. E na escola, onde alunos formam grupos que se rivalizam e onde predomina uma violência psicológica e intimidatória que alimenta um ciclo de ódio com tendência a explosões.
São questões que professores não conseguem administrar.
Na Escola pública o problema é ainda mais grave. As unidades localizadas na periferia sofrem com servidores que se ausentam deliberadamente utilizando atestados médicos, muitos deles fraudulentos, alimentando um ciclo vicioso que impacta no desempenho da escola. Professores são intimidados pelos “xerifes”da área, quando flagram um aluno com drogas.
O tráfico não atua no entorno da escola, mas dentro das salas de aula, na medida em que os traficantes cooptam alguns alunos.
Como o leitor pode ver, é um problema com múltiplas origens, mas poderia ser amenizado se a família desempenhasse seu papel - de preparar os filhos para a escola, para compreender as diversidades - de aceitar quem é diferente. A escola prepara para a vida, mas a família precisa preparar as crianças para viver em sociedade, em se comunicar com o outro e aceitar as diferenças.
Cobrar posicionamento de governos é não assumir responsabilidades. Pior, na medida em que se cobra das autoridades medidas que no geral são paliativas e não resolvem o problema, inevitavelmente seremos obrigados a abrir mão de certos direitos.
A abertura de canais de denúncias geralmente acabam justificando abusos. É isso que queremos? A familia precisa fazer a sua parte para que a escola possa fazer a parte dela.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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