A polícia ainda procura o autor ou autores do assassinato do professor Eraldo Libório, cujo corpo foi encontrado no dia 2 deste mês, com as mãos amarradas, sinais de tortura e golpes de faca em torno do pescoço. Ele lecionava na escola Roberto Vieira, no bairro Santa Etelvina, Manaus. Sua morte fez subir a estatística de assassinatos na cidade, que fechou o bimestre – janeiro-fevereiro - com 177 homicídios. Março não consta nos dados oficiais divulgados pela Secretaria de Segurança do Amazonas, mas estima-se que esse número cresceu 50%.
Alunos e familiares do professor pedem justiça, como se justiça estivesse à mão para ser aplicada a qualquer momento. É todo um processo, que começa com a identificação do criminoso e mandante, seguido do inquérito policial, do parecer do Ministério Público e o envio das informações checadas ao Judiciário. O que nem sempre acontece porque a maioria dos crimes não são solucionados.
Culpar a polícia é fácil, mas a realidade é bem diferente: a maioria dos crimes são encomendados e há gangues que cobram pelo serviço, quando não pistoleiros que fazem da morte uma profissão.
Em 2022 o número de homicídios passou de 2 mil, nem um terço deles foi solucionado. Mudar esse quadro de impunidade depende menos da polícia e mais da sociedade, que deve pensar se a solução para o problema depende de um Estado capaz de avançar sobre certos direitos e liberdades individuais. Um Estado que possa agir de pronto, sem empecilhos legais para desvendar crimes e colocar seus autores na cadeia. Mas o preço é alto demais.
Um Estado policial nos leva a uma ditadura, mas o excesso de direitos também conduz ao caos e acaba beneficiando criminosos que agem de forma cada vez mais audaciosa e sofisticada. Matar virou um negócio, uma profissão.
Identificar esse tipo de criminoso, que mata por encomenda, é uma tarefa difícil, mas não impossível. Vai depender de investimentos na formação de policiais focados no trabalho de inteligência, que geralmente demora, mas tem resultados.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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