A segurança pública não é a maior preocupação dos eleitores, mas a saúde. É o que revelam pesquisas realizadas nos últimos meses em Manaus. Mas por que, se os assaltos cresceram, os homicídios deram um salto gigantesco, a liberdade de ir e vir foi suprimida em áreas vermelhas, dominadas pelo tráfico?
Porque a população acostumou-se as tragédias, a vida foi banalizada e a morte é um fim em si mesma.
E a saúde, que interessa ao pobre, não interessa ao rico nem aos que fazem dela um negócio.
O pedido de intervenção na segurança pública feito semana passada pelo pré-candidato ao governo do Amazonas, Ricardo Nicolau, é uma tentativa de explorar as tragédias humanas, sem expor sua real dimensão: o deputado que ataca a crescente violência não faz referência a causa maior: o crime organizado, o tráfico de drogas, as milícias armadas, o sequestro de bairros inteiros de Manaus pelas Orcrims. Por que ?
A violência a qual o deputado se refere é menos um fator de polícia ausente é mais um efeito da falta de uma ação social em áreas de extrema pobreza. Depende também de atitudes do Poder Legislativo, de reforço de uma educação fragilizada e precária.
Nesse aspecto, o deputado autor da proposta e o Poder Legislativo como um todo, estão ausentes.
O blá-blá-blá do discurso de uma tribuna e de requerimentos vazios, com propostas claramente eleitoreiras não levam a lugar nenhum. Dão a sensação de um falso interesse pela coisa pública e pela segurança dos cidadãos. Mas o fato é que, como sempre, os políticos pensam neles mesmos e em seus interesses imediatos. Lamentável.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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