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Sobre a morte de Nazieth pelos meninos que ela amava

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Por Coluna do Holanda
28/04/2022 às 00h57 — em Coluna do Holanda
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Nazieth da Silva, uma mulher de 35 anos, dona de casa e mãe de três  filhos,  engrossou o número de assassinatos no mês de março em Manaus. Ela foi a 70ª vítima. Morava no Coroado e seus assassinos  ela viu, ainda crianças, brincarem na rua de barra bandeira, cinco marias e esconde-esconde. Uma inocência que logo se perdeu. Cresceram sem escola e sem esperança. Foram cooptados pelo tráfico e se transfomaram em soldados. Num bairro dividido por duas facções, Nazieth não era um rosto desconhecido. Ouvia e falava. Segundo seus algozes, “falava demais”. Como os criminosos, não escapou do tráfico e da eterna vigilância em uma cidade configurada pela violência.

Os meninos que brincavam e trocavam segredos com Nazieth  haviam desaparecido e ela nem percebeu. Na noite em que foi assassinada, eles apareceram em um carro e a chamaram com o mesmo sorriso de antes. Um passeio na companhia dos agora rapazes era bom, os bons tempos tinham que ser lembrados. Mesmo a chuva que caia naquele 28 de março despertava lembranças de um tempo bom e distante.

Mas o meninos - que faziam trabalho duplo para facções  diferentes, tinham medo que seus segredos fossem revelados. Mataram Nazeith a pedradas, desfigurando seu rosto.

A Polícia investigou e prendeu os criminosos, mas a história de Nazieth e os rapazes pode ser contada mil vezes com personagens diferentes, porque se repete em cada rua, em cada bairro tomado pelas facções criminosas, onde o estado não apenas se ausentou. Houve capitulação, transferência de espaço e de poder.

As pessoas que ficaram nessas áreas, por necessidade, que se virem. Afinal, em um país no qual as autoridades falam tanto em direitos e democracia, é de se perguntar se entendem mesmo de direito e se compreendem o significado de ‘democracia’, ou onde está a maior a ameaça ao Estado de Direito.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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