Amantes, negócios suspeitos, passado nebuloso, segredos, muitos segredos escondidos. Numa cidade em que todos têm um pouco disso, é impossível pensar que investigações sobre corrupção são eficazes e isentas, que a justiça não é pressionada e que o jornalismo profissional ainda é capaz de denunciar abertamente comportamentos não republicanos sem esconder seus pecados.
Não foi o sistema politico que apodreceu no Amazonas, mas as pessoas. Não foram os órgãos de controle que perderam o foco e têm agora que lidar com problemas internos - que eles combatem aqui fora - mas as pessoas.
Não foi o Judiciário que abandonou a Constituição para atender a opinião pública e se curva a certos interesses, mas as pessoas.
Não foi o jornalismo que deixou de ser o que se espera dele - ético, isento, independente, mas as pessoas. E pessoas não são imunes as tentações do sexo, do dinheiro e da corrupção.
Pessoas pecam todos os dias. E atiram pedras todos os dias em outros pecadores, como se santas fossem.
E num Estado como o Amazonas, onde a educação é precária, onde se relaciona politica a roubo, justiça a jogo de interesses, jornalismo a instrumento de pressão e até extorsão, o futuro é uma ponte em ruínas, uma estrada sem luz com um abismo bem próximo.
Não se vai colocar luz nesse caminho sem um processo de educação eficiente e continuado. As novas gerações esperam isso de nós.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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