Bastidores da Política - Saudade dos amigos levados pela Covid. Tudo ainda dói muito...


Saudade dos amigos levados pela Covid. Tudo ainda dói muito...

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16/05/2021 19h18 — em Bastidores da Política

  • Piadas, segredos, um copo de café com o Chicão, o charme da Faroanha, sempre divertida; a timidez do Leandro, a beleza de Sarah, a cara fechada de Aristóteles Thury, os dribles do Arnaldo Oliveira para dar uma informação em "off" que nunca chegou, o canto do Zezinho Correa que parou no Tic, Tic, Tac do relógio da vida."O nunca mais" é tão pesado quanto a soma dessas mortes juntas. Dói na nossa alma e na nossa carne.

Há um certo cansaço com notícias de novas infecções por Covid 19 e morte. Elas atuam no subconsciente como um freio à esperança. O “nunca mais será como antes" está na boca de todos os que conheço. Há consciência coletiva de que o mundo ficou mais perigoso. Os que tentam fugir do noticiário, não escapam de ouvir de amigos perguntas constrangedoras: “você já teve Covid? “Você  foi vacinado?”  “Quantos irmãos, amigos, você perdeu nessa pandemia?”

Vamos ouvir isso por muito tempo, relacionar nomes dos amigos e parentes que perdemos, chorar ao final, porque não há como resgatar vidas perdidas repentinamente.

Piadas, segredos, um copo de café com o Chicão, o charme da Faroanha, sempre divertida; a timidez do Leandro, a beleza de Sarah, a cara fechada de Aristóteles Thury, os dribles do Arnaldo Oliveira para dar uma informação em "off" que nunca chegou, o canto do Zezinho Correa que parou no Tic, Tic, Tac do relógio da vida; a timidez do Júnior, a beleza de Sarah, o amor de Rosemary com a profissão, expondo a vida para  que outros pudessem continuar vivendo; a esperteza do Amaro - gente boa que sempre queria levar vantagem, e de outros que amávamos.

"O nunca mais" é tão pesado quanto a soma dessas mortes juntas. Dói na nossa alma e na nossa carne.

Ao contrário dos amigos, penso que o futuro é possível e que chegaremos lá como exceção à regra, porque a regra no Brasil de Bolsonaro e no Amazonas de Wilson Lima é a morte ou a invalidez.

E então resgataremos o passado. A história,  que sempre construiu herói de fantasia e deturpou a essência dos fatos narrados, será a verdadeira,  com seus algozes  que atuaram diretamente na carnificina desse tempo de horror em  que ainda vivemos.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.