A tarde deste domingo em Manaus foi quente e pouco ventilada. A temperatura chegou a 36 graus, com sensação térmica de 40 em algumas áreas da cidade. Mas isso não tirou os cabos eleitorais das ruas, portando bandeiras, adesivando carros, entregando santinhos e gritando os nomes dos candidatos. Um exército de gente simples, mal paga e mal representada no Parlamento. Gente que diz o que está no script e ouve dos motoristas muitas vezes o que não gostaria de ouvir. Débora ganha R$ 40 por dia, mas nesse valor está embutida uma promessa feita ao candidato: que vai votar nele.
A poucos dias da eleição muitas Déboras são cooptadas pelos políticos para realizarem um trabalho semi-escravo. Na prática, eles não utilizam essa mão de obra barata apenas para distribuir santinhos ou adesivar carros, mas também sequestram um valor universal, mas muito particular dessas pessoas: o voto. Sem esse compromisso de “pagar pelo trabalho” não seriam contratadas.
É muito repetida a definição de democracia atribuída a Winston Churchill, primeiro ministro britânico : “ o único regime aceitável ou o melhor dos piores regimes de governo ”. Mas democracia pressupõe conhecimento, liberdade, oportunidades, cidadania, acesso à educação que nossas Déboras não têm e por isso se submetem “a democracia de uns poucos”. Esse e o estado e o País no qual vivemos.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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