Quando os companheiros de terno roubam juntos e a sociedade paga a conta
No Brasil cresce um tipo de criminalidade mais sofisticado que o crime organizado tradicional. O escândalo do Banco Master (R$ 12 bilhões), o rombo do carbono oculto (R$ 52 bilhões) e as fraudes do INSS (R$ 90 bilhões) compõem um cenário de desvios estruturados que corroem a capacidade estatal de planejar, executar e financiar políticas públicas essenciais.
Não será a guerra às favelas que enfrentará esse tipo de quadrilha organizada. A origem do problema está no próprio Estado, onde faltam controles eficientes, transparência e mecanismos que impeçam desvios sofisticados feitos sob aparência de legalidade.
Enquanto essas falhas persistirem, a máquina pública continuará incapaz de entregar serviços básicos com qualidade, mesmo diante de orçamentos bilionários.
O mais preocupante é que o debate público costuma olhar para os efeitos, não para as causas. A população se indigna com o que aparece — violência, pobreza, abandono — mas raramente volta os olhos para a estrutura que produz tudo isso.
Sem exigir transparência real, fiscalização séria e responsabilização efetiva, a sociedade continuará presa ao mesmo ciclo. E a igualdade prevista na Constituição seguirá como promessa distante, sempre defendida no discurso, mas nunca cumprida na prática.
ASSUNTOS: Banco Master, desvios no INSS
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.