SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - A área plantada com soja no Brasil em 2026/27, com plantio a partir de setembro, não deve cair apesar de margens menores de produtores, avaliou nesta quinta-feira o CEO da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato.
Segundo ele, o total plantado no Brasil, maior produtor e exportador global de soja, deve ficar igual ou aumentar um pouco, considerando que algumas áreas marginais podem ser abandonadas, mas há outras novas entrando em produção.
"Mas talvez crescer um pouquinho não seja suficiente...", observou ele, notando o esperado crescimento da demanda pela oleaginosa no mundo.
"Se ficar sem crescer no Brasil, vai ter escassez...", disse ele, ressaltando ainda que, se houver alguma seca em algum país, isso poderia provocar uma disrupção na oferta. "Se não tiver expansão de área, gera déficit", resumiu.
Em teleconferência para comentar os resultados trimestrais da SLC Agrícola, Pavinato comentou que a lógica é o produtor dos Estados Unidos ampliar a área plantada com soja em 2026/27 e reduzir a de milho, também em função dos custos mais altos com os fertilizantes nitrogenados, aplicados na cultura do cereal.
Ele disse que, como impacto da guerra, o pacote de fertilizante está 50% mais caro do que o padrão histórico, puxado pelo custo do nitrogenado que está 100% mais alto, em meio ao conflito no Oriente Médio.
O fertilizante nitrogenado tem o gás como matéria-prima, insumo este cujo preço subiu acompanhando o mercado de petróleo devido ao conflito no Irã.
No caso da SLC, a empresa pode aguardar mais tempo antes de definir compras de fertilizantes nitrogenados, pois só deverá aplicar o produto por volta de dezembro na safra 2026/27.
Por outro lado, o executivo lembrou que a alta do petróleo também favorece o aumento de preços das commodities agrícolas, principalmente porque o petróleo mais alto tende a impulsionar a produção de biocombustíveis.
(Por Roberto Samora)

