O inquérito que apura a morte de um suposto pedófilo em Presidente Figueiredo, em maio deste ano, corre em segredo de justiça. A imprensa de Manaus tentou obter nos últimos dois meses o vídeo da operação Cachoeira Limpa, em poder do Ministério Público e da Polícia, mas sem êxito. Todavia, as mesmas autoridades que alegavam "segredo de justiça" para sonegar uma informação vital, que poderia esclarecer um assunto ainda nebuloso, liberaram o video para a rede Globo. Ontem, a emissora, que apresenta o programa Fantastico, dedicou três minutos ao caso.
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A reportagem é pouco esclarecedora. O vídeo exibido, com cortes, também. A novidade está no fato - só agora revelado com clareza, que o autor das gravações foi o promotor Ronaldo Andrade, contra o qual o Conselho Superior do Ministério Público determinou fosse feita uma investigação rigorosa sobre a sua participação no episódio que resultou na morte de Fernando Pontes, o Ferrugem.
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Quer dizer, mais uma vez o MP subestima a inteligência de um de seus membros, ao entender - é o que se deduz do desdobramento dado ao caso, que Ronaldo Andrade, um promotor experiente no combate ao crime organizado, ao gravar a operação e entregar o vídeo a seus superiores, produziu provas contra si mesmo.
Na telinha da Globo
No melhor estilo apareceram na telinha da Globo o promotor Leonardo Abinader Nobre, já se antecipando as investigações e afirmando: “Você vendo a fita você chega a essa conclusão de que realmente houve uma execução ali” . O corregedor da Polícia civil,Alberto Ramires, também entrevistado, confirma: “Não há dúvida de que aquela vítima não estava armada e, portanto, ela foi assassinada” .
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Quer dizer, como corregedor Ramires acusa, quando sua função é investigar o suposto excesso dos policiais envolvidos na operação.
Um pergunta que não quer calar
Quem entregou o video ao Fantástico - o promotor que investiga o caso ou o corregedor de policia, delegado Ramires, que passaram os últimos dois meses negando liberar as gravações para a imprensa de Manaus, sob a alegação de que o caso corria em segredo de justiça ?
Cidade real
O vereador Joaquim Lucena (PSB), que interpelou o prefeito Amazonino Mendes no Judiciário sobre o custeio dos 400 mil DVDs, também resolveu fazer uma produção em vídeo para mostrar as condições reais da cidade. A diferença entre os dois vídeos é a mesma entre uma foto antes e depois do Photoshop. Quer dizer, agora temos a Manaus virtual, linda, sem problemas, do prefeito, e a de Lucena, com todas as mazelas vividas diariamente pelos habitantes da cidade. Quem estiver interessado no vídeo de Lucena pode acessar o link: http://joaquimlucena.com.br/ e descobrir se mora na cidade real ou na virtual.
Plano diretor
O deputado José Ricardo (PT) joga no time dos parlamentares que consideram legítima a discussão sobre os problemas da cidade mesmo por quem tem assento no fórum privilegiado que é a Assembleia Legislativa do Estado (ALE). Tanto é assim que o petista anunciava, ontem, a realização, nesta segunda-feira, 22, de mesa-redonda no Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social (Sares) para debater o novo plano diretor da cidade.
Convenção dos democratas
As convenções regionais dos Democratas, realizadas no sábado em todo o país, deixou o deputado federal Pauderney Avelino otimista. Diz o parlamentar que o partido está organizado e com rumo, além disso vai dar ênfase na fiscalização do governo e fazer denúncia das coisas erradas que encontrar. Avelino também está em campanha para atingir os 2.000 seguidores no Twitter, diz ele que só faltam 43 para atingir a meta.
Defesa complicada
O advogado José Lopes Barbosa defendeu a Sociedade de Interesse Público do Médio Amazonas (Sipmam), ontem, em um jornal local. O advogado afirmou que a entidade nunca foi usada politicamente pelo ex-deputado Nelson Azêdo, que a ajudava a obter recursos junto ao governo estadual. Diz Barbosa que “se a gente não tiver uma pessoa influente no governo, não consegue recursos.” Pois é, de repente o ex-deputado era que estava sendo usado pela Sipmam, acredite se quiser.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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