A exposição pública do Supremo Tribunal Federal atingiu um ponto em que já não pode ser analisada apenas como um dado da transparência institucional.
O que se observa hoje é um fenômeno mais profundo: a percepção social passou a influenciar diretamente a legitimidade da corte.
Não se trata de críticas isoladas, mas de um desconforto difuso, que circula entre cidadãos comuns e se manifesta no cotidiano — longe dos autos, mas cada vez mais próximo da imagem do Tribunal.
O Supremo deixou de ser apenas uma instância de julgamento para se tornar presença constante no ambiente político e social, submetido ao mesmo fluxo de exposição, disputa de narrativas e formação acelerada de opiniões.
Esse ambiente se torna ainda mais sensível quando episódios recentes passam a envolver integrantes da própria Corte. As discussões em torno do Banco Master, somadas às investigações que alcançam seu controlador, Daniel Vorcaro, projetaram sobre o debate público questionamentos que, independentemente de seu desfecho, já produzem efeitos dramáticos na imagem do tribunal.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


Aviso