A ultradireita chutou a porta das igrejas evangélicas e lá se instalou com seu autoritarismo, impondo um candidato que os fiéis rejeitam. O resultado é, pela primeira vez na história, um esvaziamento dessas igrejas - no Amazonas, muito especialmente, a Assembleia de Deus, onde os cultos foram transformados em comícios.
Jesus cedeu lugar a Bolsonaro e a outros “pequenos deuses” patrocinados pelos pastores. Não que Lula seja a melhor opção ou represente valores democráticos que escasseiam cada vez mais no país, enfraquecendo uma democracia ainda não estabelecida. Mas o que os pastores estão fazendo, ao impor um candidatos é dividir os evangélicos e enfraquecer uma igreja que esqueceu de Deus.
Esse é um problema que não se concentra apenas na Assembleia de Deus. Contaminou todas as denominações religiosas baseadas na reforma luterana iniciada há 400 anos.
Ao ingressarem no mundo da política, a Bíblia sob o púlpito passou a ser mero ornamento. O sagrado não existe mais. A “Palavra” é uma mistura desse sagrado que se esgota com o profano, na medida que os pastores fazem ligações com o que a Bíblia relata ou prevê com os acontecimentos políticos atuais, como forma de manipular os fiéis. Fora os que, de forma descarada, relacionam uma previsão sagrada com uma transgressão mundana.
Pátria, Família e Liberdade são palavras bonitas, mas sempre empregadas por fascistas e seus seguidores. Porém, pela primeira vez entrou nas igrejas para fazer ponte entre fé e política. Um tipo de ponte que desaba com quem tenta fazer a primeira travessia…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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