A nova pesquisa Big Data divulgada nesta segunda-feira tentou medir a distância entre os candidatos ao governo do Amazonas na corrida eleitoral. Pecou ao ouvir 1.500 pessoas pelo telefone. É um tipo de pesquisa que tem pontos negativos - do outro lado da linha sempre tem alguém apressado, desinteressado, disposto a encerrar a conversa e a mentir. As perguntas, às vezes necessariamente demoradas, são respondidas aleatoriamente. Primeiro, porque não são claras. Segundo porque respostas ambíguas remetem a dúvida sobre a eficácia desse tipo de pesquisa.
A própria Justiça Eleitoral, tão ciosa em manter o pleito sem interferências e dentro de normas muito claras, deveria limitar as pesquisas eleitorais por telefone, ao menos em momento decisivo - estamos a 67 dias da eleição.
A ojeriza das pessoas aos que utilizam de telefonemas, seja para vender produtos, seja para tomar o tempo com pesquisa, é amplamente conhecida. Quem usa o telefone para fazer pesquisa não é muito diferente de quem quer vender um produto: na prática é uma ingerência indevida no espaço privado do cidadão.
Claro, responde quem quer, mesmo a contragosto, que é o que a maioria faz. Mas que é uma invasão de privacidade, é. Pior, no final esses institutos acabam passando para a sociedade uma falsa intenção do entrevistado, em gráficos e números que na prática não refletem a verdade objetiva, nem sequer o que de fato o eleitor está pensando.
Aliás, se as pesquisas de campo, tête-à-tête com o eleitor, já apresentam falhas, imagine escolher números de telefone aleatoriamente, calcular margem de erro e avaliar níveis de confiança nas amostras?
Nada mais ilusório pensar que as pesquisa por telefone são, ao final, um retrato da verdade objetiva passada pelo entrevistado.São meias verdades, ou pequenas verdades que, ao final, contemplam grupos políticos interessados em resultados positivos
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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