Ao utilizarem os leds espalhados por Manaus para divulgarem a atividade parlamentar, os deputados e vereadores entraram na mira no Ministério Público Eeleitoral e poderão ser multados. Uma denúncia de propaganda antecipada chegou ao MPE, cujo entendimento é o de que, mesmo em ano anterior à eleição vale o dispositivo legal que veda a divulgação da imagem pessoal ou defesa de interesses dos candidatos ou pré-candidatos. No Amapá, o MPE já move ação por propaganda eleitoral antecipada contra o senador Jose Sarney e o governador Camilo Capiperibe. Eles são acusados de descumpriram a Lei das Eleições, que estabelece a data de 5 de julho do ano eleitoral para propaganda. Isso porque, em rede de rádio e tv, enalteceram a própria imagem, o que os colocaria na mente dos eleitores como pré-candidatos nas eleições do próximo ano. O Led é considerado, assim como a tv e o rádio, um veiculo de comunicação e um meio de propaganda.
E AGORA, JOSÉ?
Esta semana vai ser curta na Assembleia Legislativa, por causa dos feriados. O pedido de investigação para entender como o ex-presidente Ricardo Nicolau (PSD) assinou um aditivo de R$ 1,6 milhão para a construção do edifício-garagem sem a presença dos demais membros da Mesa Diretora, começou por onde não devia e agora virou uma espécie de samba do crioulo doido. A Comissão de Ética, tendo por base o Regimento Interno e resoluções, respondeu que ali não era a esfera para dar início a um processo que pode terminar em quebra de decoro. E assim o pedido passou para ouvidoria/corregedoria. Só que, por acaso, quem está no cargo de ouvidor/corregedor é o próprio Nicolau, que o encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça, cujo presidente é David Almeida, também do PSD.
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Nesta segunda-feira 2, o deputado José Francisco (PT) argumentou que Nicolau deveria se julgar impedido de atuar no caso onde é acusado. Mais: entende como nulo o ato de Nicolau em repassar o processo para a CCJ. O petista, junto com os colegas Marcelo Ramos (PSB) e Luiz Castro (PPS), é autor do pedido de abertura de Processo de investigação ético-disciplinar da conduta de Nicolau.
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Não é demais lembrar: em 2009, quando o Ministério Público alegou falta de decoro do então deputado Wallace Souza, acusado de diversos crimes, a Mesa Diretora encaminhou o processo para a CCJ, que o encaminhou para o corregedor Josué Neto e este o repassou para a Comissão de Ética, recomendando a abertura de processo. A cassação veio depois desses trâmites.
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Nicolau pode ainda ter muitas cartas na manga e assim não ir sozinho para o sacrifício, mas não vem recebendo apoio dos colegas. Pelo menos publicamente. A exceção é Wilson Lisboa (PCdoB) que, num único discurso até aqui, disse acreditar na inocência do colega.
E QUANDO O ELEITOR NÃO QUER VOTAR?
Até agora ninguém foi às ruas protestar contra o voto obrigatório, mas para muitas pessoas, o brasileiro só deveria sair de casa para votar, se quisesse. O país já estaria amadurecido para isso. Mas se a reforma política no Brasil não anda nem sobre outros aspectos mais simples, imagine esse. E enquanto isso, segue a legislação que pune quem deixar de votar. Em agosto de 2002, em plena campanha eleitoral, o então deputado Miguel Carrate, numa entrevista, disse o eleitor não queria saber de votar. “Estou encontrando dificuldade porque o eleitor não quer saber de votar”, afirmou,
CANDIDATO ESPANTA O ELEITOR
E olha que Carrate era médico, proprietário de clínicas que atendiam milhares de pessoas (ele se recusava a ser chamado de assistencialista) e considerava ter uma base eleitoral forte. Mas faltava dinheiro, queixa geral entre candidatos, por isso ele optou por fazer reuniões nas ruas. Comício? Nem pensar. Só para os candidatos mais ricos, que podiam pagar artistas famosos e atrair “apenas jovens” para assistir as atrações. Mas nem isso era garantia de segurar o eleitor, dizia o pessimista Carrate; “Quando o locutor anuncia que o candidato vai falar, vai saindo todo mundo”. Ele foi reeleito.
PAUDERNEY TAMBÉM LEVOU PERNADA DE AMAZONINO
Na história recente da política do Amazonas, o fato mais comentado quando se fala do atual vice-governador José Melo, é a “pernada” que ele recebeu de Amazonino Mendes, em 2002. Melo era tratado como vice na chapa de Eduardo Braga, apoiado por Amazonino naquela eleição. Somente no dia da convenção, o professor, que era deputado estadual, soube que fora substituído por Omar Aziz. Na verdade, não era a primeira vez que Amazonino fazia esse tipo de surpresa.
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Na eleição de 1998, o deputado federal Pauderney Avelino chegou a ser apresentado como candidato a vice-governador de Amazonino Mendes, que disputava a reeleição. Segundo a imprensa divulgou na época, a ata da convenção já estava pronta. Mas no caminho para a convenção do PFL, tudo mudou e quem foi anunciado como vice foi Samuel Hanan. E assim como o professor Melo teve de correr para ser candidato à reeleição, Pauderney teve de fazer o mesmo para voltar à Câmara dos Deputados. .
QUANDO A ALTURA IMPEDE DE IR AO BANHEIRO....
Fazer campanha eleitoral no interior do Amazonas não é fácil. O sujeito tem de voar mais de mil quilômetros para conquistar apenas 300 ou 400 votos, quando muito. Às vezes, o esforço é enorme, como o do ex-candidato a deputado federal Beto Michiles, que teve de voar num pequeno avião bimotor, cuja altura dentro era de pouco mais de metro e meio. Na viagem de mais de duas horas e meia, Beto, que tem cerca de dois metros de altura, teve nada menos que uma diarreia daquelas brabas.
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Como a porta do sanitário do avião só tinha um metro e vinte, cada vez que sentia vontade Beto tinha de arriar as calças e ser empurrado pra dentro pelos colegas até cair sentado no vaso. E devido suas pernas longas, a porta tinha de ficar aberta. Foi uma viagem de horror nas alturas! Depois de umas quatro vezes, tinha nego querendo abrir a porta do avião pra respirar! Mas enfim todos chegaram salvos. Isso não é folclore. Ocorreu há oito anos...
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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