Alguns leitores reclamam que a coluna parece um ringue. Todo mundo apanha. E fazem uma respeitosa sugestão: "escreve alguma coisa leve”. Pensei em algodão doce, broa e cascalho - aquela casquinha de trigo com gosto de erva doce - ou de amores raramente correspondidos.
Mas a leveza que eles querem, bem sei, tem que tocar a alma e embalar corpos suados e sofridos. Tudo o que não sei fazer. Ou não aprendi a fazer.
Quando li os comentários, alguns malcriados e impublicáveis, estava em Presidente Figueiredo, junto a uma cachoeira que bocejava e cuspia água cor de mel.
E pensei nessa doçura que a natureza oferece tão espontânea e ao mesmo tempo tão distante - seja porque está a 130 quilômetros de Manaus, seja porque não é para todos.
A entrada na área das cachoeiras custa R$ 10 por pessoa, a comida é cara. O mundo, cheio de magia, no qual a água grita e salta brincalhona sobre rochas com centenas de anos, está à margem de uma BR trafegável - a 174 - mas apenas uma parte privilegiada da população tem acesso e desfruta dessa rara beleza da criação.
Então, sei, não há leveza nessa narrativa. Continuo batendo e, muito provavelmente, não agrado esses leitores. Mas bato por uma causa maior, a causa de todos, não apenas de alguns privilegiados…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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