O Judiciário amazonense está sendo colocado novamente na berlinda. Vai ter que decidir nas próximas horas se acata mandado de segurança para suspender os trabalhos de uma CPI que apura os caminhos pelos quais foi drenado o dinheiro da sociedade, privatizado pela corrupção no Amazonas. O alvo desta vez é a Câmara Municipal de Manacapuru, que apurou, documentalmente, que recursos destinados a construção de poços artesianos foram parar nos bolsos de um grupo político, com proteção no Executivo estadual até 2010.
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A CPI, legitimada desde a sua constituição, com a participação de todos os partidos e permitindo amplo direito de defesa aos acusados, pode parar a qualquer momento se o Judiciário fizer vista grossa ao descalabro apontado até aqui: o autor da ação, o ex-prefeito Washington Regis, recebeu recursos para reformar escolas e não fez as obras, mas engenheiros da secretaria de Educação do Amazonas "atestaram que foram concluidas".
Uma caixa dágua nada fantasma
Um caso prosaico seria a caixa dágua na área do Colégio Nossa Senhora de Nazaré, em Manacapuru, que na prestação de contas do ex-prefeito constaria como construída na sua gestão, mas já existia há anos. Pelo que já anunciaram os membros da CPI, Washington Régios e seu sucessor, Edson Bessa, do grupo politico do senador Eduardo Braga, incorreram em crimes que vão de peculato à formação de quadrilha.
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E isso bem aqui, na porteira de Manaus. Depois dizem que a corrupção que correu solta no Alto Solimões, com obras fantasmas, foi invenção do Tribunal de Contas e do Ministério Público, que atestaram que elas não existiram. E o caso empacou no Tribunal de Justiça, onde o processo que responsabiliza criminalmente os acusados, não anda.
Calado e em boa companhia
O deputado federal Sabino Castelo Branco (PTB) não diz quase nada em seu perfil no Facebook, que mesmo assim tem 5.002 friends e está lotado.
Travessia da esculhambação
O deputado Marcelo Ramos (PSB) deu início a campanha para acabar com o voto secreto na Assembleia Legislativa do Estado (ALE). Vai ter muito trabalho pela frente e sem nenhuma garantia de chegar a seu objetivo.
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O pessebista também reclamava, no domingo, da falta de balsas na travessia da Ceasa /Careiro. Dizia o deputado que essa travessia “é uma esculhambação.” Parece que essa palavra não qualifica bem a situação, que é muito pior do que diz o termo empregado por Ramos.
Inauguração da ponte
O titular da Superintendência de Trabalho e Emprego (SRTE) no Amazonas, Dermilson Chagas, está em campanha para colocar um amazonense para cantar na inauguração da ponte sobre o rio Negro, no dia 24 de outubro. O preferido de Chagas é Nunes Filho.
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A ponte é uma obra de dois governos - o de Eduardo Bragsa, que a iniciou, e de Omar Aziz, que a está concluindo, apesar de ter herdado uma administração sufocada pela falta de recursos.
Será que a ponte ajuda?
Não é de hoje que o deputado Francisco Souza (PSC) sonha em ser prefeito de Iranduba, o município localizado em frente de Manaus e que será ligado à capital a partir de 24 de outubro deste ano, quando a ponte sobre o rio Negro será inaugurada. Souza foi o mais insistente defensor da obra, num período em que ninguém apostava um tostão furado na ideia: nem seus colegas, muito menos o governo.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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