A era Bolsonaro está acabando, mas não o bolsonarismo, essa mistura estranha de família e religião, que separa pessoas, que dissemina o ódio em meio a um confuso conceito de Nação e patriotismo. A saída de Bolsonaro do Governo em 1 de janeiro já é um alivio.
O País não está em escombros. Menos porque o Judiciário agiu como polícia e incorporou espírito um tanto ditatorial - restringindo direitos, ao tempo em que governava de fato, prendendo, julgando, condenando ou declarando inconstitucionais medidas tomadas pelo Executivo. Não está em escombros porque Bolsonaro fracassou como “ditador”.
Felizmente, no momento em que parecia mais forte e com apoio de uma parcela considerável de brasileiros, ele recuou no seu intento de enquadrar as instituições da República. Foi naquele Sete de Setembro de 2021, quando fez o Brasil parar, mas foi contido por Michel Temer.
O ex-presidente golpista, com a fama de vampiro, chegou de jatinho em Brasilia com uma carta nas mãos, contendo os termos de uma rendição precoce.
Bolsonaro não se deu conta de que, ao assinar aquela “carta aos brasileiros”, estava revelando que tinha medo de ir além do que aquele momento permitia. Começou a definhar alí, a perder seguidores. Mas essa é uma história para a história contar.
O que vale hoje e agora é indagar se o STF, que invadiu competências do Executivo e do Legislativo, vai permitir que Lula, que assume em janeiro, governe.
É oportuno perguntar se o escandaloso inquérito dos atos antidemocráticos, que fez o Supremo sequestrar funções da polícia e do Ministério Público, vai permanecer?
Vale perguntar se não chegou a hora de mudar algumas regras para que os Poderes da República de fato sejam independentes e harmônicos entre si?
Mas tudo depende do Congresso Nacional, um Poder fraco, subserviente e medroso. Afinal, deputados e senadores - a grande maioria - têm feridas expostas.
O risco é tudo permanecer como está. Um presidente novo, mas enfraquecido. Um Judiciário forte ditando normas de como governar o País. E um Legislativo que está mais preocupado em se apropriar do dinheiro do orçamento secreto do que com a democracia que sonhamos.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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