A Câmara de Vereadores elegeu semana que passou o seu presidente. Foi uma eleição disputada. A impressão que passou foi de um Poder Legislativo tentando reconstruir uma identidade perdida, refazendo a liga com o eleitor e a cidade. Mas tudo o que resultou da eleição da nova Mesa Diretora - as cisões em bancadas, as manifestações precoces de apoios - não passou de um teatro no estilo mambembe.
As interferências na eleição sequestraram dos vereadores a propalada independência e o espírito público que eles apregoam.
O que contou foi número: 2024… Agora eles ficam na difícil posição de responder a dois senhores… enquanto o povo pena nas ruas. E sofre, não sem abrir mão da esperança de que na próxima eleição possa aparecer gente de fato compromissada com o interesse público.
Na Assembleia Legislativa não é diferente. Há dezenas de manifestações de “preferência”. Isso incomoda porque revela que os deputados não têm espirito crítico, são incapazes de avaliar erros ou acertos da atual administração.
Tudo é obra de “uma ação de graças” de alguém que no comando da Casa fez milagres. Mas milagres que não chegaram ao povo.
Milagres que beneficiaram um pequeno grupo que agora demonstra fidelidade absoluta.
Milagres de um pão que ficou no cesto dos 24 deputados, enquanto os famintos se espalhavam pelo estado.


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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