Não bastassem os assaltos dentro de ônibus e a precariedade do serviço prestado à população, agora há ocorrência de crimes praticados por motorista. O assassinato do passageiro Alzimar Leão Lobato, depois de uma discussão com o motorista José Roberto Oliveira, que se negou a parar o coletivo, é agravado pelo fato de o passageiro ferido ter sido empurrado para fora do ônibus e morrer praticamente na calçada.
A alegação de que a vítima teria esmurrado o motorista precisa ser esclarecida. É uma versão de quem está vivo. Contestar essa narrativa, oportunista, que não minimiza nem justifica o ato criminoso, é papel da polícia, que tem a obrigação de ouvir os demais passageiros. Mas onde estão? Ora, a polícia tem o dever de empreender o esforço necessário para encontrá-los.
O transporte coletivo - é bom lembrar - é uma concessão pública. Portanto, a obrigação de indenizar os familiares da vítima não é apenas da empresa, mas do poder público.
Ademais, é preciso acabar com a brincadeira de brindar a iniciativa privada com serviço que ela não presta ou presta de forma muito precária. Ou são os ônibus que não funcionam e deixam trabalhadores no meio do caminho, ou são motoristas mal treinados, mal remunerados e agressivos.
O transporte coletivo deve fazer jus a esse nome - ser a expressão correta que abarca uma coletividade, especialmente os mais pobres e estudantes, que dependem de ônibus para trabalhar ou estudar.
Ao longo dos anos esse tipo de atividade, essencial numa cidade-metrópole como Manaus, vem sendo alvo de projetos mirabolantes das diversas gestões municipais, como o metrô de superfície entre outros. Tudo demagogia, tudo uma falácia, um engodo. Espera-se que o prefeito David Almeida coloque ordem nessa área e brinde a população com um transporte coletivo digno, com motorista treinados. É a forma de fazer mais por uma cidade que precisa de mudanças radicais no transporte urbano.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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