Em tempos de desconstrução de pessoas e de governos, melhor uma análise fria, madura e responsável de temas que resultam em grande repercussão na opinião pública, especialmente em ano eleitoral. E antes de vir a público, o bom senso manda que se investigue exaustivamente para não destruir biografias nem produzir falsos heróis da ética e da moral públicas.
Parecia um novo escândalo o aluguel de picapes pelo governo do Estado do Amazonas junto a CJ Locadora. Primeiro, ganhou espaço nos telejornais da TV Amazonas, acabou ocupando 4 minutos do Jornal da Globo e os sites do grupo de comunicação.
A denúncia é do Ministério Público, mas os números fornecidos não indicam nem superfaturamento ou sobrepreço. A matéria diz que a empresa apresentou a maior proposta (R$ 8.137), valor por unidade dos 207 carros contratados, mas que foram entregues apenas 59, tendo a CJ Locadora recebido R$ 400 mil. É aqui que os números não batem.
Em tese o governo cumpriu a regra de pagar pelo que foi entregue à Secretaria de Segurança Pública. Se a irregularidade está no valor contratado (R$ 8.137 por veiculo) os R$ 400 mil pagos indicam que, mesmo contrariando o contrato assinado, o valor do aluguel de cada picape (os 59 veículos entregues) foi menos de R$ 7 mil e não R$ 8.137. Basta operacionalizar a lição básica de dividir o valor recebido pelo número de veículos entregues.
É fato que se deve investigar as razões pelas quais o governo reservou R$ 11,7 milhões do total do contrato para eventual pagamento, e se esses números indicam alguma irregularidade. Mas é sempre bom ponderar.
Em tempos de desconstrução de pessoas e de governos, melhor uma análise fria, madura e responsável de temas que resultam em grande repercussão na opinião pública, especialmente em ano eleitoral. E antes de vir a público, o bom senso manda que se investigue exaustivamente para não destruir biografias nem produzir falsos heróis da ética e da moral públicas.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso