“Vamos destruir essa organização criminosa”. O anúncio feito pelo comandante da Polícia Militar, coronel Marcos Vinícius de Oliveira, ocorreu nesta sexta-feira em meio a uma forte tensão causada pela explosão de fogos de artifício na noite anterior pelo Comando Vermelho. Em traje civil, Marcos Vinicius disse que “quem manda na cidade de Manaus e no Estado do Amazonas é o governo, a Polícia Militar."
A falta do fardamento tirou do comandante a autoridade que o cargo lhe confere para falar em nome da instituição.
Comparar os fogos de artifício - uma demonstração de força - à disputa entre os bois Garantido e Caprichoso - foi infeliz.
A foto oficial divulgada na noite de quinta-feira, com policiais em torno de uma mesa tomada por poucos fogos de artifício e três armas de fogo apreendidos, também foi um ato falho. Não representa o que poderia ter resultado a presença de 509 policiais em 72 viaturas nas ruas.

Há uma forte presença do crime organizado no Amazonas e é inegável sua infiltração em todos os setores da sociedade. Não é folclore. É uma triste realidade.
Não se pode é dizer que tudo começou agora. Vem de muito tempo atrás. Teve início com a Família do Norte em 2007 e depois com a entrada do PCC e do CV.
Então, é um caso antigo, que sobrevive e se expande porque os diversos governos ignoraram o poder desses grupos e a capilaridade que criaram com o poder político e econômico. Ou não lavariam facilmente o dinheiro da droga, e negócios aparentemente sem quaisquer vícios não se expandiriam da noite para o dia numa cidade dividida.
Mas voltando à fala do coronel, o “sirenaço” promovido pela PM na madrugada desta sexta-feira teve impacto sim. Assustou o lado bom e o lado mau de uma cidade que não dormiu…
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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