A limpeza eleitoral pressupõe respeito aos adversários, rejeição à intimidação e abandono das ofensas como instrumento de disputa. Divergências são próprias da democracia; a degradação do debate, não. Tampouco se deve confundir proposta de administração íntegra com retórica moralizadora.
Não se apaga a experiência de um adversário pela repetição do que dizem ou escreveram sobre ele, das trapaças judiciais que tentaram sujar sua história.
Enquanto a disputa eleitoral se ocupa, de um lado, de controvérsias pessoais, a população enfrenta um problema que compromete a saúde e evidencia as dificuldades do poder público na prevenção e no controle das queimadas.
A qualidade do ar não melhora com acusações, mas com políticas eficazes e responsabilidades definidas.
E a limpeza de que o Amazonas necessita vai além da atmosfera: alcança a política, a administração pública e a própria condução dos interesses coletivos.
O Amazonas precisa de ar limpo, eleições limpas, objetivos claros e interesses públicos preservados das conveniências particulares.
A disputa política exige confronto de ideias, fiscalização das trajetórias e reconhecimento tanto dos erros quanto dos méritos.
Não se apaga a experiência de um adversário pela repetição de seus defeitos, assim como eventuais realizações não o dispensam de responder por suas falhas. A maturidade democrática consiste precisamente em permitir que o cidadão examine o conjunto, sem distorções.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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