O grande assunto que cerca o caso Nicolau na Assembleia Legislativa é a capacidade de o ex-presidente ter assimilado o conceito da monocracia. À frente de uma Mesa Diretora de oito membros, incluindo ele próprio, Nicolau conseguiu conduzir dois anos de mandato sem tomar conhecimento dos sete companheiros. E alcançou feitos inéditos, como fazer licitações e contratar obras sem que os sete pares soubessem de nada. Por fim, realizou a grande façanha: escreveu a primeira "ata manocrática" da história. Mas, assinar por todos, foi um recurso extremo, que agora pode levar Nicolau ao cadafalso.
"Cabocos" X gringos
Ontem, assessores que já sabem que vão trabalhar na CPI da Telefonia, comentavam a dificuldade que vão ter para enfrentar os "cobrões" que vão preparar a defesa das multimilionárias telefônicas. "Os caras vão ter toda a tecnologia à disposição pra explicar tudo do jeito deles e nós vamos ficar atirando de baladeira". Ou seja, a conversa indica que vai ser a guerra do discurso político contra o discurso técnico. A vantagem da CPI é que ela é política.
Aposentadoria garantida
Em intervenção que ultrapassou o tempo regulamentar, na sessão de ontem, o deputado Ricardo Nicolau (PSD) se defendeu, de novo, de ter supostamente superfaturado a obra do edifício-garagem da Aleam e debochou ao dizer que as mais de 10 ações por danos morais já lhe garantem uma aposentadoria confortável.
Fato novo
A volta do ex-presidente Ricardo Nicolau (PSD) à tribuna para se defender foi motivada por fala do deputado Marcos Rotta (PMDB) que nega ter participado de reunião da mesa diretora onde se teria homologado aditivo à obra do edifício-garagem. Questionado diretamente por Marcelo Ramos (PSB), Ricardo Nicolau afirmou que não existiu a renião da mesa no dia 13/01/2013, um domingo.
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Por falar em caso Nicolau, ontem a grade na frente da Assembleia Legislativa, onde acampavam os últimos manifestantes contra o ex-presidente, amanheceu limpa. "Os caras desistiram", comentou um jornalista. Mas um assessor parlamentar explicou a seu modo: "A coisa começa com a denúncia. Depois vem a pressão. E por fim a negociação". E concluiu rápido: 'Mas não termina aí. Tem de "convencer" a oposição".
“Mais Médicos” & obras
O deputado Wilson Lisboa (PCdoB), feliz com a contratação de mais de 4 mil médicos cubanos para trabalhar no Brasil, parabenizou a presidente Dilma Rousseff “pela sua coragem de enfrentar o cartel da medicina”. Ele tem parente que se formou na profissão no exterior. Melhor mesmo foi Lisboa se solidarizar com Ricardo Nicolau e afirmar que o ex-presidente da Aleam é inocente.
Mais justo? Talvez...
Diz o presidente do PT no Amazonas, ex-senador João Pedro, que os dez anos de governos democráticos e populares – do Partido dos Trabalhadores - tornaram o país mais justo. Deve ser, pelo menos os bancos não reclamam dos altos lucros, embora o PT não tenha desistido de amordaçar a imprensa com seu projeto “democrático” de controle social da comunicação.
Sem paradas
Os estudantes do Ifam, ex-Escola Técnica Federal do Amazonas, situada na 7 de Setembro, Centro, fundada em 1909, já é centenária e seus alunos estão em pé de igualdade com moradores do residencial “Viver Melhor”, obra do governo federal, como o Ifam: diz a vereadora Vilma Queiroz (PTC) que por lá não existem paradas de ônibus com abrigo.
Creches nas empresas
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) tem projeto para mudar a CLT e obrigar empresas a manter creches para abrigar filhos de funcionários, coisa que deveria ser providenciada pelo governo que ela apoia e que tem recorde de arrecadação de impostos todo mês.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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