No dia das mulheres, o que mais desejamos é que elas consigam despertar para o poder que têm e comecem a exercê-lo de fato, rompendo o cercadinho no qual foram confinadas.
As vezes me pergunto por que as mulheres não mudam o mundo? O mundo delas e o mundo das pessoas que as cercam. E por que são tão oprimidas? Por que não são voz ativa na família, na política, na economia? Porque olham para a parede quando há portas abertas e caminhos para os quais não há fronteira. Porque não ultrapassam a porta para construir a igualdade tão reclamada. Porque se sentem protegidas por um cipoal de leis que as torna vulneráveis, invés de protegê-las. Pior, faz o homem se sentir cidadão de segunda classe, acirrando os conflitos, dividindo as famílias.
Mulher e homem são partes que se completam e os direitos de um são os do outro.
- Ah, mas na prática não é assim , dirão alguns. A sociedade é patriarcal, o domínio é do homem e essas suas ideias não se encaixam com a realidade .
Não se encaixam mesmo, porque as mulheres não entenderam que podem mudar tudo isso, mudar o País, mudar a composição do Congresso Nacional, mudar os governos, mudar a composição da Suprema Corte. Como ? Por que? Porque têm um poder que os homens não conseguem acompanhar. O voto. Elas são a maioria do eleitorado: 78 milhões dos eleitores cadastrados até mês passado eram mulheres, contra 69,5 milhões de homens.
Em Manaus, a diferença é bem grande: 724 mil mulheres com direito a voto contra 643 mil homens.
Então, por que as mulheres continuam ignorando o poder que têm? Por que continuam sendo minoria nas casas legislativas, nos tribunais, nos ministérios, nas agências de desenvolvimento? Porque ainda dormem e precisam acordar.
Não podem continuar aceitando cotas para entrar em uma disputa eleitoral, porque são maioria. As cotas foram criadas para diminui-las, colocá-las num cercadinho na ilusão de que representam um direito. Não precisam disso. Cotas partidárias para as mulheres são mais uma armadilha, uma artimanha machista.
No dia das mulheres, o que mais desejamos é que elas consigam despertar para o poder que têm e comecem a exercê-lo de fato.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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