Dia 8 de janeiro. Uma turba invade Brasília e depreda a sede dos Três Poderes. A Nação, indignada, apela por medidas duras e o ato é qualificado como um atentado à democracia. Mais de 1,3 mil pessoas são imediatamente presas.
Dia 18 de fevereiro. Arruaceiros, do outro lado do espectro politico, invadem três fazendas na Bahia, destruindo o patrimônio privado e violando a Constituição.
São atos diferentes apenas no conteúdo, mas um atentado à democracia - repetimos - pois a Constituição do País assegura o direito à propriedade privada. Mas o tratamento é diferente. Apesar do ato ser político é falsa a narrativa de que a medida visa promover justiça social e permitir moradia aos sem terra. Ademais, são áreas produtivas, assaltadas à luz do dia sob os olhares omissos das autoridades.
Foi digna de aplauso a iniciativa do ministro Alexandre de Moraes de endurecer contra os responsáveis pelos atentados de 8 de janeiro em Brasília. Mas práticas criminosas de movimentos esquerdistas, movidos por lideranças autoritárias, violam o direito de propriedade sem que ninguém qualifique essa violência como atos “antidemocráticos”.
Adotar uma política passiva diante dos atos de violência do MST ante o precedente de omissão de militares e de outras autoridades, como Anderson Torres e do governador afastado de Brasília Ibaneis Rocha ( no caso de Brasília) não seria também se pautar pela omissão? Quem responsabilizar pela omissão?
A propriedade privada é um direito a ser protegido, mas não vem sendo recepcionada pelo Supremo no mesmo nível com que tratou a questão de Brasília.
São necessárias medidas administrativas e judiciais para conter o arroubo de lideranças que estão incitando as invasões País afora.
Lula = a Bolsonaro
O que vem tornando Lula um retrato de Bolsonaro é esse comportamento dúbio: de um lado defende a democracia; de outro, indiretamente seu governo incentiva a ação de grupos com ligações diretas com o Partido dos Trabalhadores, como o Movimento dos Sem Terra e a Frente Nacional de Luta no Campo e na Cidade, que reivindicam reforma agrária.
Ora, eles esquecem que o governo que poderia promover a reforma agrária é o governo no qual eles apostaram e cujas propostas aprovaram. Devem cobrar desse governo promessas de campanha feitas abertamente ou em ambientes fechados como se tudo fosse segredo, maquinações que depois seriam expostas à Nação.
Se a reforma agrária nos moldes arbitrários e antidemocráticos do MST vier a ocorrer no Brasil, Lula deve mostrar logo a cara e dizer a que veio.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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