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Manaus tem direito a energia barata, mas não pode ser estimulada a furtar

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Por Coluna do Holanda
03/03/2023 às 23h23 — em Coluna do Holanda
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A revolta de moradores do bairro D. Pedro contra funcionários da Amazonas Energia que tentavam instalar medidores externos logo ganhou o apoio da classe política. A verdade é cruel de ouvir ou aceitar: mas somente é contra a instalação de medidores quem tem a intenção de “gatear"ou validar - como querem os vereadores, um ato considerado furto (artigo 155 § 4º, II do Código Penal).

A instalação dos medidores aéreos é mais seguro - para a empresa e para os consumidores - pelo fato de impedir o acesso ao quadro de energia, evitar sobrecargas e mortes, além de assegurar que a contagem do consumo será real.

Ninguém sairá perdendo - nem os consumidores nem a concessionária. Mas fizeram da instalação dos  medidores um caso de polícia e de política.

Começou com o senador Eduardo Braga (MDB), tentando buscar votos na eleição do ano passado e segue agora com vereadores e deputados, que ignoram uma decisão do Supremo Tribunal Federal para quem " qualquer lei estadual (ou municipal - grifo nosso )  que interfira na relação contratual estabelecida entre as concessionárias de energia e a União configura invasão à competência privativa prevista na Constituição ".

Quer dizer: o que vereadores e deputados estão fazendo é estimular um tipo de violência contra funcionários de uma empresa que estão fazendo apenas o seu trabalho. O resultado está aí: movimentos de protestos que se espalham e podem ter consequências - o que já se tornou uma ameaça a vida desses trabalhadores.

Os vereadores alegam que a colocação de medidores externos  provoca outro problema: está levando a empresa a colocar mais fios, num emaranhado de cabos que pode também resultar em perigo de vida  para as pessoas que transitam pelas ruas.

Se fossem mais inteligentes emendariam o Código de Postura da Cidade de Manaus, estabelecendo que as concessionárias de energia e telefonia começassem a fazer ligações  subterrâneas, estipulando um prazo de dez anos para que toda essa fiação que enfeia a cidade desapareça. Se isso vai custar caro às empresas, problema delas. Mas atacar a instalação de medidores aéreos ( com base apenas em interesse político de médio prazo ) é fomentar  atritos e revoltas da população que já se tornaram rotineiras e perigosas.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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