O governo do Amazonas jogou gasolina e tocou fogo num barril de pólvora. E fez isso da pior maneira possível: num final de semana, anunciando a retirada de 10 mil famílias da maior invasão de Manaus, o Monte Horebe, para segunda-feira. E o fez sem uma estratégia, sem uma política de apoio às famílias, como se a policia pudesse expulsar de uma única vez milhares de pessoas. A reação foi dura e o governo agora tem duas saídas: reavalia sua posição ou parte para o confronto, com todos as consequências funestas previsíveis.
Se houver um mínimo de coerência, recua da desocupação pela força. E parte para uma negociação com os moradores.
Os residentes no local estão em polvorosa e ‘ameaçados’ por duas forças que amedrontam: A força da Lei - que predomina contra os mais fracos, e a pressão do crime organizado.
Na coletiva de imprensa em que anunciou a reintegração de posse da área, o vice Carlos Almeida colocou mais dúvidas e incertezas que segurança para as famílias em risco.
Falou do objetivo de ‘acabar com a criminalidade’ que domina a invasão, mas não garantiu a segurança habitacional das famílias, ao dizer que “não será feito cadastro dessas pessoas”.
Talvez na visão do governo, os moradores e a bandidagem que impera no Monte Horebe são ‘farinha do mesmo saco’. Para acabar com um, será preciso exterminar a presença do outro?
A ação programada e a fala do governante soam com absoluta falta de sensibilidade, num momento em que centenas de famílias ali alojadas esperavam ao menos um aceno de paz.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso