A ousadia do crime organizado é grande. A manifestação pelo retorno para presídios do Estado dos líderes da FDN, na quarta-feira, em Manaus, constrangeu as autoridades. E as reações foram de espanto. Mas indiciar os manifestantes por suposta apologia ao crime é um erro brutal. Primeiro porque o movimento foi pacífico, não ocupou as ruas, não houve depredação de bem público, não impediu o trânsito, não causou tumulto, não desacatou as autoridades.
Onde o crime? Por defender dois conhecidos criminosos presos por tráfico de drogas? Então também seria apologia ao crime as manifestações em favor da liberdade do presidente Lula, preso por corrupção?
Tratamento igual para casos que não tem relação direta, mas não são diferentes do ponto de vista do direito de cada simpatizante se manifestar pública e livremente.
Ademais, quem foi as ruas, direcionado ou não, usado como massa de manobra ou não, por crença de que a justiça se corrompeu e os políticos faliram, foi um grupo de pessoas sem máscaras, usando o direito constitucional da livre manifestação de pensamento. Um pensamento equivocado? Sim. Mas de quem a culpa? Primeiro, do serviço de inteligência do Estado, que deveria ter identificado com antecedência que haveria a manifestação e que o poder do tráfico pagaria o transporte dos manifestantes. São esses financiadores que devem ser identificados e processados, não o povo sofrido. Segundo, porque essa massa de manobra que o tráfico usa - os pobres da periferia das cidades - os políticos já usaram e usam desde que o Brasil é Brasil. O que o Estado como Nação precisa fazer é pacificar a sociedade, ou vai perder essa guerra.
CPI DO FIM DO MUNDO
A Assembleia Legislativa do Amazonas avalia realizar uma “CPI do Fim do Mundo" para investigar contratos de serviços firmados pelo Governo do Amazonas nas gestões de Eduardo Braga (PMDB), Omar Aziz (PSD), José Melo (Pros), David Almeida (PSB) e o atual de Amazonino Mendes (PDT).

A ideia de CPI surgiu com o deputado Sabá Reis (PR), só para investigar Amazonino, mas o líder do governo na Casa, deputado Dermilson Chagas (PDT), sugeriu estender investigações aos outros governos. O presidente da Assembleia e ex-governador interino, David Almeida (PSB), disse que não apoiaria uma CPI contra o seu governo, mas se for para investigar outros governos assina em apoio a criação da Comissão. Os deputados não participaram de governos (exceto David Almeida, como presidente da Assembleia Legislativa e interino com a cassação de José Melo). Eram e são simples fiscais do governo. Se esses governos erraram, os deputados pecaram pela omissão e deveriam também ser investigados.
AGORA É 590 MIL NO FRETE
A Assembleia Legislativa do Amazonas publicou novo contrato de locação de aeronave, dessa vez com a empresa Rico Táxi Aéreo no valor de R$ 590.001. O contrato terá duração de um ano, entre 25/04/2018 a 24/04/2019. O serviço de locação é de aeronave do modelo hidroavião monomotor, com capacidade para oito pessoas e dois tripulantes. Ontem divulgamos o contrato de R$ 497 mil com a Cleiton Táxi Aéreo na locação de aeronave modelo bimotor.
ACÚMULO CARGOS SUSAM
O secretário de saúde do Amazonas, Francisco Deodato, resolveu constituir uma comissão visando à apuração de supostas acumulações de cargos e funções por servidores na Secretaria de Estado de Saúde (Susam) e com outros órgãos ou entidades na capital e interior do Estado. A portaria com a definição foi publicada no Diário Oficial do Estado do último dia 9.
MAIA EM MANAUS
De olho no Palácio do Planalto, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), reúne hoje com empresários na sede da FIEAM e visita as empresas Moto Honda e Samsung para ter ideia do que é o Polo Industrial de Manaus.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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