O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve discutir com líderes de outros países em Barcelona, no fim da semana, a candidatura da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet para o cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Lula participa de um encontro promovido pelo governo da Espanha para discutir a democracia no mundo.
Segundo a diplomata Vanessa Dolce de Faria, assessora especial do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro espera "conseguir apoios" em torno do nome de Bachelet. Faria disse que já "existe consenso em torno de uma mulher da América Latina" para o cargo nas negociações com o governo espanhol. A diplomata disse que é uma "prioridade do presidente Lula buscar conversar sobre o assunto em Barcelona" com os demais chefes de governo.
Esta será a quarta edição desse fórum de defesa da democracia. O primeiro foi à margem da Assembleia Geral da ONU, em 2024. O encontro terá três eixos: a defesa do multilateralismo, a luta contra desigualdades e o combate à desinformação.
A sucessão ao cargo de secretário-geral da ONU deve aparecer justamente no debate sobre multilateralismo, disse a diplomata brasileira em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira, 13, para explicar o roteiro da viagem do presidente Lula. Ela disse que "possivelmente não haverá consenso entre todos os países presentes".
Lula viaja à Espanha na quinta-feira, 16. Tem agenda a partir de sexta-feira, 17, no país europeu. Estão confirmados no encontro em Barcelona:
- Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul;
- Edi Rama, primeiro-ministro da Albânia;
- Lars Klingbeil, vice-chanceler da Alemanha;
- Mia Amor Mottley, primeira-ministra de Barbados;
- Ndaba Gaolathe, vice-presidente de Botsuana;
- José Maria Neves, presidente de Cabo Verde;
- Gustavo Petro, presidente da Colômbia;
- Jane Naana Opoku-Agyemang, vice-presidente de Gana;
- Prabowo Subianto, presidente da Indonésia;
- Catherine Connolly, presidente da Irlanda;
- Inga Ruginiene, primeira-ministra da Lituânia;
- Claudia Sheinbaum, presidente do México;
- David Lammy, vice-primeiro-ministro do Reino Unido;
- Yamandu Orsi, presidente do Uruguai.
A diplomata Vanessa Dolce de Faria reforçou que o fórum sobre democracia "não é contra nenhum governo". Disse que a eleição na Hungria deve ser um assunto trazido pelos chefes de países europeus que participarão da reunião, mas que esse "não é tema da nossa prioridade". O líder da extrema-direita húngara Viktor Orbán, apoiado pelo presidente norte-americano Donald Trump, foi derrotado nas eleições no último domingo, 12.
"A reunião não é contra nenhum governo, é a favor da democracia no fórum. O Brasil quer compartilhar sua experiência. Sofremos uma tentativa de golpe de Estado, os responsáveis foram condenados, estão cumprindo pena e é exemplo para o mundo. Essa é a perspectiva brasileira. Não é um fórum contra ninguém ou contra algum governo", declarou.



