O funcionalismo público é uno. Dar esse privilégio ao Judiciário e ao MP é dividir os servidores em duas partes, o que também divide o governo e mexe na balança de poder no País
O projeto de Emenda Constitucional que permite aos magistrados, membros do Ministério Público, Defensorias e Tribunais de Contas ganhos de 5% a cada cinco anos de atividade - a chamada parcela adicional por tempo de serviço - é um privilégio exclusivo de uma classe que está no topo do funcionalismo. Uma elite dominante que precisa mostrar que faz jus à regalia.
A PEC é uma excrescência, que evidentemente será aprovada por uma maioria de parlamentares que de certa forma tem seus pecados e se ampara em favores nada republicanos. Ademais, o volume de recursos gastos com a medida vai além da capacidade dos órgãos envolvidos arcarem com o ônus sem buscar socorro junto ao Executivo. Em outras palavras: a conta, que será pesada, sairá duplamente do bolso do contribuinte brasileiro.
Única voz dissonante no Senado parece ser a do senador Omar Aziz (PSD-Am), para quem “ o Judiciário tem que demonstrar que pode arcar sozinho com essa despesa adicional, sem recorrer a suplemento extra de repasses”.
É hora de o Congresso dar um basta numa farra que vem de longe. Por outros meios, o Judiciário e o Ministério Público fizeram uso de penduricalhos para engordar proventos, gratificações, abono de permanência e benefícios como o PAE - Parcela Autônoma de Equivalência, que turbinou salários de juízes e promotores.
O funcionalismo público é uno. Dar esse privilégio ao Judiciário e ao MP é dividir os servidores em duas partes, o que também divide o governo e mexe na balança de poder no País. Aliás, já mexeram demais e está dando no que estamos vivenciando no momento - grande predominância do judiciário em decisões que caberia ao Legislativo ou ao Executivo.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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