Maio e setembro foram meses sombrios, nos quais corpos se amontoavam no Instituto Médico Legal em Manaus. Entre as causas, homicídios:100 em maio e 101 em setembro. Em outubro, 99. E novembro chegou perto de 100, mas esse número ainda está sendo computado pela Secretaria de Segurança do Amazonas.
Somente nos primeiros 11 dias de dezembro, os assassinatos em Manaus somaram 51.
O número é alarmante, com tendência a crescer. Não por falta de polícia ou por incompetência desta, mas porque cresceu a desconfiança entre as pessoas, porque vizinhos não sabem conviver com diferenças e se matam, porque ainda prevalece o sentimento de posse entre homem e mulher, porque o ciúme envenena, porque a cada dia aparece mais pistoleiros oferecendo-se para tirar vidas humanas “a preço acessível”, porque as facções que dominam o tráfico de drogas na cidade se somam a isso tudo, criando esse horror ao qual a maioria das pessoas parece habituada.
Não é a polícia que deve ser responsabilizada por uma violência que afinal todos ajudam a disseminar. Seja vomitando ódio e espalhando mentiras contra outros nas redes sociais ou nos aplicativos de mensagens, seja fazendo de vizinhos inimigos. A violência começa aí e termina de forma previsível: em morte. Polícia não resolve.
Pedir mais polícia para supostamente conter essa onda de assassinatos é ignorar que essa ruptura do tecido social começa dentro de casa, na relação de pais e filhos - que melhora muito à medida que o homem e a mulher têm trabalho e as criança educação de qualidade.
Os governos não veem isso, não querem ver…


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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