Insisto num tema que se tornou perigoso, mas vale qualquer preço o dever de alertar a sociedade dos riscos que representa para a democracia a forma como os acusados pelos atos de 8 de janeiro estão sendo julgados. Tudo o que seus advogados alegam para se contrapor ao autor da ação não é considerado porque o autor é o órgão julgador que tomou para si a incumbência de acusar.
Quer dizer, o direito do réu ao contraditório e a ampla defesa deixou de existir, dada a duplicidade de papéis exercido pelos ministros da Suprema Corte - que acusam, julgam e estabelecem penalidades.
Os acusados já adentram no tribunal para receber a sentença - os anos que permanecerão presos.
A defesa usa o púlpito por mera formalidade. Talvez por isso alguns advogados esqueçam seus clientes e utilizem o tempo conferido à defesa para criticar os ministros da Corte. Parece pessoal, mas é desespero.
Os juízes alegam, corretamente, que os réus “cometeram dano ao patrimônio público com uso de substâncias inflamáveis e tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito”. Mas por assumir a acusação e julgar, o Supremo não faz outra coisa senão avançar perigosamente para um estado de exceção.
Como o Executivo aplaude, o Legislativo é omisso, a OAB encolheu e a sociedade é passiva, os julgamentos passaram a ter caráter político...ou próximo disso.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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