Bastidores da Política - 'Fala sério’: ninguém quer o afastamento do governador Wilson Lima


'Fala sério’: ninguém quer o afastamento do governador Wilson Lima

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

16/06/2021 18h53 — em Bastidores da Política

  • O adultério político, produto de uma relação promíscua de bastidores entre governistas (que tentam blindar o governador) e uma oposição oportunista, se consolida entre quatro paredes. O resultado dessa relação ocasional de motel, produzirá como filhos bastardos mais corrupção e maior destruição do Estado Amazonas até 2022. Ou para além disso…

O julgamento da denúncia contra o governador do Amazonas, Wilson Lima e do vice Carlos Almeida pelo Superior Tribunal de Justiça, marcada para o dia 30, tem torcidas diferentes do mesmo lado da arquibancada: os wilsistas, que abusam de privilégios e do tráfico de influência que exercem acintosamente e sem controle, se apropriando de recursos do Estado, e uma oposição conformada e cúmplice, torcendo pela permanência de um governador eleitoralmente inviável, que quanto mais sangrar mais ficará vulnerável e rejeitado pelo eleitorado.

Uma espécie de adultério político formal, produto de uma relação promíscua de bastidores entre governistas (que não querem abrir mão do poder)  e uma oposição oportunista.

O resultado dessa relação ocasional de motel,  produzirá como filhos bastardos mais corrupção e maior destruição do Estado do Amazonas até 2022.

O julgamento, entretanto, pode revelar surpresas, entre elas a exclusão do vice-governador Carlos Almeida do processo, em razão principalmente de relatório da Polícia Federal, após a primeira fase da Operação Sangria, não apontar  sequer indícios de sua participação nas irregularidades apontadas na denúncia formulada  pela subprocuradora Lindôra Araújo.

É uma possibilidade, com Carlos habilitado a assumir o governo do Amazonas imediatamente, caso o STJ entenda que o direito deve prevalecer, não importando quais grupos de interesse  estejam de alguma forma interferindo ou tentando interferir numa decisão que vem sendo acompanhada com lupa pela sociedade.

A segunda hipótese é que tanto Wilson Lima quanto Carlos Almeida sejam afastados por 180 dias.  A vaga, aberta, será imediatamente ocupada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado Roberto Cidade(PV),  que  muito possivelmente tirará da gaveta uma das dezenas de pedidos de impedimento movidos  contra o governador e seu vice.

Constituída a comissão do impeachment, e confirmado o afastamento definitivo de Wilson e Carlos, independentemente  do processo então em andamento nos tribunais,  Cidade permanecerá   no cargo até a realização de eleição complementar, em prazo a ser estipulado pela Justiça Eleitoral.

É um desenho provável, mas com grande possibilidade de não ocorrer. Uma mudança de cenário radical. Cidade não abriria mão  de ser candidato ao mandato tampão e a disputa ocorreria entre diversas correntes politicas, como a capitaneada pelo  ex-governador Amazonino Mendes, pelo senador Eduardo Braga, pelo deputado federal José Ricardo, pelo ex-deputado Pauderney Avelino, pelo ex-superintendente da Suframa, Coronel Menezes e pelo deputado Marcelo Ramos.

As nuvens permanecem escuras. A largada  para a sucessão  estadual só será dada mesmo após o julgamento da denúncia pelo STJ.

Agora é esperar as surpresas que os ministros costumam  oferecer, muitas vezes  enroladas em argumentos que colocam a lei em um segundo plano. Vale o entendimento, a interpretação  subjetiva  de um   artigo da Constituição, para a qual é dado  um valor simbólico…

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.