
O julgamento da denúncia contra o governador do Amazonas, Wilson Lima e do vice Carlos Almeida pelo Superior Tribunal de Justiça, marcada para o dia 30, tem torcidas diferentes do mesmo lado da arquibancada: os wilsistas, que abusam de privilégios e do tráfico de influência que exercem acintosamente e sem controle, se apropriando de recursos do Estado, e uma oposição conformada e cúmplice, torcendo pela permanência de um governador eleitoralmente inviável, que quanto mais sangrar mais ficará vulnerável e rejeitado pelo eleitorado.
Uma espécie de adultério político formal, produto de uma relação promíscua de bastidores entre governistas (que não querem abrir mão do poder) e uma oposição oportunista.
O resultado dessa relação ocasional de motel, produzirá como filhos bastardos mais corrupção e maior destruição do Estado do Amazonas até 2022.
O julgamento, entretanto, pode revelar surpresas, entre elas a exclusão do vice-governador Carlos Almeida do processo, em razão principalmente de relatório da Polícia Federal, após a primeira fase da Operação Sangria, não apontar sequer indícios de sua participação nas irregularidades apontadas na denúncia formulada pela subprocuradora Lindôra Araújo.
É uma possibilidade, com Carlos habilitado a assumir o governo do Amazonas imediatamente, caso o STJ entenda que o direito deve prevalecer, não importando quais grupos de interesse estejam de alguma forma interferindo ou tentando interferir numa decisão que vem sendo acompanhada com lupa pela sociedade.
A segunda hipótese é que tanto Wilson Lima quanto Carlos Almeida sejam afastados por 180 dias. A vaga, aberta, será imediatamente ocupada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado Roberto Cidade(PV), que muito possivelmente tirará da gaveta uma das dezenas de pedidos de impedimento movidos contra o governador e seu vice.
Constituída a comissão do impeachment, e confirmado o afastamento definitivo de Wilson e Carlos, independentemente do processo então em andamento nos tribunais, Cidade permanecerá no cargo até a realização de eleição complementar, em prazo a ser estipulado pela Justiça Eleitoral.
É um desenho provável, mas com grande possibilidade de não ocorrer. Uma mudança de cenário radical. Cidade não abriria mão de ser candidato ao mandato tampão e a disputa ocorreria entre diversas correntes politicas, como a capitaneada pelo ex-governador Amazonino Mendes, pelo senador Eduardo Braga, pelo deputado federal José Ricardo, pelo ex-deputado Pauderney Avelino, pelo ex-superintendente da Suframa, Coronel Menezes e pelo deputado Marcelo Ramos.
As nuvens permanecem escuras. A largada para a sucessão estadual só será dada mesmo após o julgamento da denúncia pelo STJ.
Agora é esperar as surpresas que os ministros costumam oferecer, muitas vezes enroladas em argumentos que colocam a lei em um segundo plano. Vale o entendimento, a interpretação subjetiva de um artigo da Constituição, para a qual é dado um valor simbólico…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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