O eleitor amazonense é um otimista. A cada eleição ele imagina que as coisas vão mudar, mas se vê envolvido em trapaças (das quais acaba fazendo parte) ao aceitar que o candidato pague a conta de luz que ele apresenta no escurinho para ninguém ver. Em público, o politico diz que a lei não permite, mas no privado mete a mão no bolso e cobra o voto.
O sistema é de troca e não mudou, não vai mudar.
Uma das falhas graves da democracia representativa é a compra de votos, que ocorre de várias maneiras. Não que o eleitor não tenha noção de seu papel como cidadão e do valor do voto como instrumento de transformação da sociedade.
É que, entre se manter firme na convicção de que dispõe desse instrumento de mudança e que a construção de um novo Estado depende exclusivamente dele, há urgências que não podem esperar.
Portanto, manter essa situação de controle de parcela da sociedade, essa dependência de comida e outras necessidades básicas, beneficia os políticos e leva os governantes a frear o desenvolvimento, a podar a educação, a reduzir oportunidades de trabalho.
Ou o Amazonas já não teria, ao longo de mais de meio século de Zona Franca de Manaus, um projeto alternativo capaz de gerar empregos, moradia e educação de qualidade?
Não interessa mudar o cenário no qual um modelo de desenvolvimento foi parar nas clausulas pétreas da Constituição Federal, para garantir, de um lado, os investimentos da classe empresarial e, de outro, o poder dos políticos, mas que não contempla na sua plenitude as expectativas nem dos poucos trabalhadores que emprega nem da sociedade.
Infelizmente, o eleitor sempre carente de comida e trabalho e precariamente assistido no período eleitoral, perde a capacidade de fazer escolhas, de debater, de avaliar os programas ou promessas dos candidatos.
No caso do Amazonas, nem que o eleitor se libertasse da dependência da assistência precária por comida e moradia, fazer escolhas seria um desafio. As opções que se afiguram não são das melhores…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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