Compartilhe este texto

A defesa do suspeito pelo suposto assassinato de Dom Phillips e Bruno


Por Raimundo de Holanda

09/06/2022 20h00 — em
Bastidores da Política



Num suposto assassinato, em que as suspeitas recaem sobre diversos atores - mandantes, grileiros, poder econômico e politico - é inevitável que o senso comum aponte certo desvio de conduta de procuradores municipais se credenciando para defender o acusado. Uma exposição indevida. Em bom momento, perceberam a mancada e se afastaram do caso. Mas provocaram um estrago na imagem dos governantes locais.

Durante a manhã desta quinta-feira e boa parte da tarde de quarta, dezenas de mensagens de leitores para a coluna traziam uma indagação: procuradores municipais ou estaduais podem fazer advocacia privada? A questão vinha no bojo do noticiário dando conta que os procuradores de Atalaia do Norte, Ronaldo Caldas da Silva Maricaua, e de Benjamim Constant,  David Barbosa de Oliveira, foram contratados para fazer a defesa do principal suspeito pelo desaparecimento do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira.  A resposta é sim. Mas as perguntas embutiam uma suspeita.  Por que os procuradores? 

Por mais que os prefeitos dos dois municípios tentassem em nota explicar que a decisão dos procuradores era legitima, mas sem ligação com os municípios, essa relação não pode ser negada.
Num suposto assassinato, em que as suspeitas recaem sobre diversos atores - mandantes, grileiros, poder econômico e politico, é inevitável que o senso comum aponte certo desvio de conduta e uma exposição indevida dos procuradores. Em bom momento, perceberam a mancada e se afastaram do caso, Mas provocaram um estrago na imagem dos governantes locais.
Não se está aqui acusando os prefeitos. Longe disso. Mas um caso, de repercussão nacional e internacional, exigia dos mandatários dos dois  municípios o maior distanciamento possível do suspeito ou suspeitos.
 Percebida  a grande mancada, os procuradores, que têm como função básica  a defesa do interesse público, se afastaram.
O caso remete a uma outra questão: a mistura de público com privado, permitido escandalosamente a algumas carreiras, especialmente a advocacia com o poderoso lobby que  os advogados, promotores e juízes fazem no parlamento.  Nenhuma profissão, exceto os médicos ou outros profissionais que por mérito e esforço fazem  doutorado, tem a primazia de ganhar, por uma simples lei do tempo do império e que deveria ter sido revogada ou ignorada, o titulo de doutor.
Se bem que num país miserável como o Brasil, basta vestir-se bem, ter um bom carro para ser chamado de doutor.
Mas voltando ao caso do desaparecimento de Dom Phillips e do indigenista  Bruno Pereira, o principal suspeito está preso, a polícia estuda se o sangue encontrado no barco do suposto criminoso pertencia a uma das vítimas. Se confirmado, será mais um caso de crime sem corpos...
  



Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.