Manaus liberou geral. Ví isso sexta-feira para sábado, às 00h10m, quando me dirigia ao aeroporto Eduardo Gomes. Ruas lotadas de carros, cerveja rolando na beira das calçadas e pouca gente com máscara.
Sexta é o tradicional dia da caçada, com espécies em mutações. O caçador viu charme em outro homem e a caça se enfeitiçou por outra caça. Tempos complicados para a paquera como conhecíamos.
Mudança de hábito, de época, transformação de gostos e desejos.
E o descuido de sempre, nem tanto com a Aids, doença já praticamente superada pelos coquetéis de drogas eficazes que prolongam a vida, mas da fera que agora espreita a todos e que mata.
A Polícia faz o teatro de sempre, fecha um bar, enquanto o outro abre em sintonia com uma tragédia anunciada.
A previsão para setembro é de 750 mil mortes pela pandemia da Covid no Brasil. Quantas mais em Manaus?
É bom nem saber, mas que o manauara está dando mole para o vírus, ah, tá sim e isso é preocupante!
Depois que Bolsonaro chamou de maricas quem insiste em permanecer em casa, os super machos (nem tanto) foram para as ruas. O que isso vai produzir provavelmente será uma ressaca entubada, com mais contaminações, mais sofrimento e morte.
Manaus está se transformando - pela cheia do rio Negro, com o volume de chuvas que vem caindo, com as submoradias, o abandono das precauções contra o vírus, especialmente o uso de máscaras - no habitat perfeito para novas variantes se desenvolverem.
Toda essa tragédia parece longe de acabar. Vem banzeiro por aí…
Da alegria da noite, da caçada ao sexo, pode sobrar filhos órfãos e viúvas.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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