Na abertura da COP30, em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou reafirmar a imagem de um Brasil protagonista na agenda climática global. Falou em equilíbrio entre progresso e preservação, em superar os combustíveis fósseis e em proteger o legado do Acordo de Paris.
O discurso, medido ao compasso das expectativas internacionais, foi elegante. Mas tropeçou no essencial: a contradição entre a retórica verde e a omissão histórica do governo federal em relação ao Estado do Amazonas.
O Amazonas continua isolado por vias precárias, dependente da Zona Franca — que se esvai sem política industrial substitutiva — e sem investimentos estruturantes em transporte, energia ou comunicação.
O governo central fala em transição energética, mas preserva termelétricas a base de combustíveis fósseis, insiste na exploração de petróleo na Margem Equatorial, ao mesmo tempo em que o Ibama bloqueia, em nome da preservação, a pavimentação de uma estrada vital como a BR-319;
O Amazonas também padece de uma ausência de lideranças que traduzam o interesse público em direção de governo. O estado tem vivido sob administrações de perfil administrativo, não de projeto de estruturas — sem vozes, mesmo no Parlamento, capazes de articular o desenvolvimento regional com a urgência social e ambiental que o território exige.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso