Carta de 88 fez dos brasileiros 'Alices' no País das Maravilhas

Por Raimundo Holanda

26/10/2020 21h44 — em Bastidores da Política

Constituinte, sim... A Constituição de 1988 foi idealizada num ambiente de sonhos. O Brasil saia do inferno de uma ditadura e respirava liberdade. Foi um momento mágico na história do País - A Constituição cidadã, nas palavras do deputado Ulisses Guimarães. Quem, da geração atual, leu sobre ele, tomou conhecimento do seu papel  como defensor  dos direitos civis no Brasil ? É possível que ninguém. Ulisses foi abraçado  pelo mar que o tragou naquele fatídico 12 de outubro de 1992, quando o helicóptero  no qual viajava caiu próximo a Angra dos Reis…

Mas por que esse rodeio todo?  Porque a ideia de convocar uma Constituinte, exposta pelo líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros, gerou uma onda de protestos inesperada. Mas Barros tem razão. 

A Constituição de 1988 criou um país imaginário, transformou os brasileiros em “Alices” e os colocou no País das Maravilhas. Demorou para cair a ficha de que esse país nunca existiu…
As instituições que guardariam a Carta das Leis, denunciariam os que a violassem e garantiriam  que nunca, jamais, alguém seria acusado sem provas, fosse  preso sem que tivesse a oportunidade de recorrer à última  instância  da justiça, o Supremo Tribunal Federal, foram contaminadas pela paixão, pelo ódio e pela vaidade. O notável saber jurídico de seus integrantes, exigência constitucional, cedeu lugar a amigos ou a amigos dos amigos. Pior, invés de guardar a Constituição e fazê-;la respeitada, começaram a interpretá-la. E erraram muito e continuam errando. 

Acabar com a vitaliciedade de cada um deles, entre outras medidas, estabelecendo um tempo de permanência no Supremo não superior a 8 anos, depende sim de mudança na Constituição.