Enquanto a defesa reconhece a necessidade de se precaver diante das possíveis consequências da investigação, a ex-candidata derrotada ao governo do Amazonas insiste em tratá-la com o tom de provocação de uma campanha que já terminou.
A reação de Maria do Carmo à operação de busca e apreensão revela uma postura pouco cautelosa diante da investigação criminal.
Ao ironizar a diligência e denunciar perseguição política, a ex-candidata reproduz o discurso de confronto que marcou sua disputa com Omar Aziz. A eleição, porém, terminou.
A apuração sobre a manipulação da imagem da filha do governador eleito envolve possíveis crimes e não pode ser confundida com a continuidade do embate eleitoral.
A Polícia Civil investiga quem produziu o vídeo e quem autorizou sua publicação nas redes sociais da campanha.
Segundo o delegado Marcelo Martins, a análise dos equipamentos apreendidos deverá ajudar a esclarecer o grau de participação de Maria do Carmo.
A vinculação do conteúdo à candidatura não comprova responsabilidade penal, mas justifica a apuração.
Eventual comprovação de participação consciente poderá agravar sua situação jurídica, conforme os elementos do crime investigado.
A conduta pública de Maria do Carmo contrasta com a cautela adotada por sua defesa. De um lado, divulga vídeo ironizando a operação policial; de outro, pede habeas corpus preventivo para afastar eventual prisão, admitindo, subsidiariamente, medidas cautelares como a entrega do passaporte e a proibição de deixar a comarca sem autorização judicial. São iniciativas juridicamente legítimas, mas politicamente contraditórias.
Portal do Holanda
Vídeo
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
Aviso