A situação de Maria do Carmo tornou-se mais delicada com o avanço da investigação da Polícia Civil do Amazonas sobre um vídeo que utilizou a imagem da filha adolescente do senador e governador eleito Omar Aziz.
A ex-candidata nega conhecer a produção do material, mas deve explicar por que, mesmo sabendo que circulava um vídeo criminoso atribuído à sua campanha, dias antes da eleição, não denunciou de pronto à Polícia Federal, ao TRE , MP Eleitoral, alegando que a mídia não partira de sua equipe e pedia uma investigação.
Era legítimo esperar que a ex-candidata tomasse iniciativa e se indignasse ao tomar conhecimento do episódio. Nada fez.
E não o fez por conveniência. Afinal, maculava a imagem do adversário.
Há uma circunstância que merece atenção. No último debate eleitoral, Maria do Carmo assumiu a criação do site A Verdade Sobre Ele, que associava Omar Aziz, sem comprovação, a uma suposta rede de criminosa.
Como figura pública e defensora declarada de valores como família, liberdade e responsabilidade, Maria do Carmo tem razões adicionais para contribuir com o esclarecimento dos fatos. Não basta atribuir à assessoria a responsabilidade pela comunicação sem explicar como ela era supervisionada. Afinal, era a candidata e principal liderança política da campanha.
Busca na casa de Maria
O caso ganhou novo peso nesta terça-feira (3), quando o desembargador Paulo Feitoza, do TJAM, restabeleceu a ordem de busca e apreensão contra Maria do Carmo. O magistrado não encontrou elementos suficientes para reconhecer ilegalidade ou abuso na medida e destacou o risco de perda ou alteração de provas digitais. Considerou, ainda, que a oferta de aparelhos escolhidos pela própria investigada não substitui uma diligência policial mais ampla. A decisão permite o prosseguimento das buscas, sem antecipar qualquer conclusão sobre responsabilidade criminal.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
Aviso