Bastidores da Política - Bolsonaro ameaça governadores e Covid pode ficar sem controle em Manaus


Bolsonaro ameaça governadores e Covid pode ficar sem controle em Manaus

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

27/02/2021 18h29 — em Bastidores da Política

Centro da Covid 19 no Brasil, Manaus pode enfrentar uma nova onda da infecção. Esse alerta vem sendo negligenciado pelas autoridades, mesmo depois de estudo da Fiocruz  Amazônia  que aponta a variante encontrada na cidade como 10 vezes mais letal que as demais cepas do virus. Como epicentro da pandemia, e com seu  sistema de saúde colapsado pela segunda onda, a cidade tem tudo para adotar medidas radicais de distanciamento social e seguir a sugestão de cientistas e dos ex-ministros da saúde  para um  lockdown de 21 dias ou três semanas. Mas agora o governador Wilson Lima - e não somente ele -  tornou-se  refém de uma ameaça do presidente Bolsonaro: “Governador que fechar seu estado deve bancar o auxilio emergencial”.

Ora, o auxílio foi criado em razão das medidas de distanciamento e do fechamento do comércio não essencial, que provocou desemprego.  A ameaça tem conotação política e quem se sujeita ela tem um histórico de corrupção  que pode ser levado em conta em um momento no qual o presidente faz da Procuradoria Geral da República um puxadinho do Palácio do Planalto e exerce  inegável influência em um dos  tribunais superiores.

Wilson Lima nunca adotaria o lockdown, mesmo que a previsão da terceira onda de Covid seja confirmada em um futuro próximo.

O video abaixo - e que você já deve ter visto - é a ameaça mais velada do presidente  aos  governadores e uma rendição do País a um vírus que mata sem controle, porque a  capacidade da Vigilância Sanitária de monitorar as mutações que estão ocorrendo é limitada.

A  cada dia surge uma nova variante, mais poderosa do que a outra, elevando o número de mortes. Bolsonaro parece disposto a assumir a responsabilidade por esse morticínio.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.