Embora negue qualquer pretensão de disputar o governo do Estado, o prefeito Artur Neto entraria na disputa no caso de o governador Omar Aziz decidir ficar no governo até o último dia de mandato.
Seria um novo embate entre Artur e o senador Eduardo Braga.
TEMPO DE DECIDIR O JOGO
O governador Omar Aziz, que costuma olhar a politica com a visão de um enxadrista, não pode esquecer que esse jogo tem outras regras e tempo para acabar.
No seu caso, esse tempo é menor do que os oito meses que separam as convenções partidárias, que deverão ocorrer na metade de junho do próximo ano. E não encerra apenas no dia 31 de março, quando deverá deixar o governo, caso decida disputar o Senado.
A força do governador se esgota à medida que o tempo avança e fica a expectativa de que o poder decisório será passado para outras mãos.

Ou omar decide o jogo agora - apontando claramente quem são seus generais e seus adversários - ou também será levado de roldão pelo tempo, que não espera.
REBECCA E O PROJETO DE SER CANDIDATA

A hora é de difinições para os pré-candidatos ao governo. A deputada Rebecca Garcia, por exemplo, parece ter esgotado o seu tempo de militância na esfera administrativa. Se estava atrás de experiência para seu curriculo, já a obteve. Se não retomar urgentemente o seu posto de deputada federal pode descobrir tardiamente que não agiu no tempo certo para se viabilizar eleitoralmente.
BRAGA PERDE O CONTROLE DOS PREFEITOS

Por falar em Braga, ele está encontrando dificuldades para segurar os prefeitos no PMDB. Eles querem ir para o PROS, do vice-governador José Melo.
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Um intermediário do senador já advertiru os insugentes: "Voces sabem que o senador é um trator..."
DE VOLTA PARA O PASSADO
Nem sempre o presidente da Câmara vive em paz com o prefeito e quando isso acontece dá muita confusão. Em abril de 2002, o prefeito era Alfredo Nascimento (hoje senador) e o presidente da Câmara era Nelson Azedo. O quiprocó entre eles aconteceu porque Alfredo se negava a repassar uma verba suplementar de R$ 2,4 milhões para a Câmara, como queria Nelson Azedo. O prefeito alegava que a Câmara ultrapassara o limite em gastos com pagamento de pessoal, em 89%, quando a lei só permitia 70%, o que levou o presidente da Câmara recorreu à Justiça. Uma liminar obrigou Alfredo a fazer o repasse, mas a relação entre os dois azedou de vez.
AMARELOU
Vereadores pró-Alfredo também viraram a cara para o presidente da Câmara, a quem eles ajudaram na eleição da Mesa Diretora. Clima de tensão. Aí, no dia 11 de abril daquele ano, Nelson Azedo não aguentou a pressão e, como se diz, amarelou. Durante entrevista numa rádio, foi mais do que humilde: “Vou solicitar uma audiência com o prefeito, para mostrar que tudo passou, que nós, homens públicos, temos que nos voltar para o bem da sociedade. Meu desejo é que a Câmara e a Prefeitura de Manaus voltem a ter bom entendimento administrativo”, apelou.
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A bandeira branca estendida por Nelson Azedo não adoçou a boca de colegas da bancada de Alfredo, como Luiz Alberto Carijó, que prometeu guerra: “Nós abdicamos de ter companheiros de nossa bancada na Mesa Diretora, porque não concordamos com os atos do presidente e sua forma de administrar. Por esse motivo, decidimos ser oposição a ele”. Mas Nelson Azedo estava mesmo de coração mole: admitiu ter cometido falhas e pediu desculpas.“Quero me desculpar com os vereadores, dizer que estou tendo oportunidade de aprender muito com eles”. Foi apenas uma fase.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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