Ela era pequena (1,50m). Mas parecia uma tigresa protegendo os filhotes. Era impossível não perceber as pupilas azuis naqueles olhos cor de mel. Quando meu pai viajou para outra dimensão, ela reuniu os 8 filhos e disse o que tinha e como viveríamos a partir dali. Era quase nada, mas era tudo o que dispunha: um salário de professora aposentada.
Ela nunca permitiu que faltasse pão, nem livros, nem sandálias. Faltava pasta de dente, mas não a escova. E cuidar de 8 filhos com tanto zelo era um ato heróico. Uma farofa de dois ovos para 8 bocas era somente farinha, mas era alimento. Era a parte que ela podia oferecer.
Tudo o que ela pedia em troca era que estudássemos e seguíssemos o caminho do bem. Os anos passaram, ela fazendo a nossa travessia para o outro lado do rio com segurança.
Crescemos, nos formamos. Um dia ela disse adeus e fechou os olhos. Demoramos a reconhecer o valor daquela mulher, o que ela nos proporcionou e que não retribuímos em vida.
A história de minha mãe é a história de muitas mulheres que se doam aos filhos sem reservas, sem limites.
Neste dia especial uma homenagem ainda que tardia a uma mulher que foi especial em minha vida: minha mãe, Anita.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

Aviso