O ex-vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, ao redigir uma carta à sociedade tentou explicar os motivos de sua renúncia, mas não convenceu.
A linguagem, em tom sereno, marcado por referências à responsabilidade, à estabilidade e ao compromisso com o Estado, contradiz o ato de se afastar do governo e serve apenas como verniz ao que de fato representa: uma distorção da verdade por trás da renúncia.
Mas que verdade?
Não se sabe. Em 50 ou 200 anos a história revelará. Mas é tempo demais para desvendar o que de fato motivou essa decisão.
Afinal, o que estava em jogo não era apenas uma decisão administrativa. Era a sucessão natural do cargo mais alto do Estado. Com a renúncia do governador, cabia ao vice assumir.
Não havia impedimento. Não havia decisão judicial. Não havia qualquer obstáculo constitucional.
Havia, sim, uma possibilidade concreta: assumir o governo, concluir o mandato e disputar a reeleição. A Constituição permite. A jurisprudência admite. O caminho institucional estava aberto, mas Tadeu seguiu caminho oposto.
Diante disso, a pergunta é simples e legítima: por que renunciar quando poderia governar?
A carta fala em transição institucional e em novos caminhos. São expressões formais e politicamente aceitáveis. Mas não enfrentam o núcleo da questão. Quando a forma ocupa o espaço da explicação, a substância fica em segundo plano — e é aí que nasce a frustração pública.
Se havia respaldo constitucional para assumir e disputar um mandato próprio, a decisão de abrir mão dessa possibilidade naturalmente exige uma explicação mais concreta.
O Amazonas vive um momento de rearranjo político relevante. E, nesses momentos, confiança pública depende de clareza.
A carta foi divulgada. Mas a pergunta continua. E, enquanto a pergunta continuar, a dúvida também continuará.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




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